O alecrim, tempero comum na cozinha brasileira, pode ter um papel importante no combate ao Alzheimer. Pesquisadores do Instituto Scripps de Pesquisa, nos Estados Unidos, identificaram um composto presente na erva que pode melhorar a memória e reduzir a inflamação no cérebro.
Em fevereiro, os cientistas divulgaram um estudo sobre o diAcCA, um composto desenvolvido em forma de comprimido que pode vir a ser usado no tratamento da doença. Ele é derivado do ácido carnósico, uma substância antioxidante encontrada no alecrim e na sálvia, conhecida por reduzir inflamações e o estresse oxidativo – fatores ligados ao avanço do Alzheimer.
O ácido carnósico, em sua forma natural, é instável e não pode ser usado diretamente como medicamento. Por isso, os cientistas criaram o diAcCA, que é estável e se transforma no ácido original ao ser absorvido pelo organismo. Em testes com camundongos, ele conseguiu atravessar a barreira hematoencefálica e agir diretamente no cérebro.
O resultado foi a melhora da memória, aumento das conexões entre os neurônios e redução das proteínas defeituosas associadas ao Alzheimer, como a beta-amiloide e a tau fosforilada.
Efeitos colaterais reduzidos e mais segurança
Um dos grandes diferenciais do novo composto é que ele só é ativado em áreas inflamadas do cérebro, o que ajuda a evitar efeitos colaterais. Segundo o Dr. Stuart Lipton, líder do estudo, os testes mostraram uma melhora significativa na memória, a ponto de ela retornar quase ao normal nos animais tratados.
Além disso, o ácido carnósico já é reconhecido como seguro pela FDA, a agência reguladora dos Estados Unidos. Isso pode acelerar o processo de aprovação de testes em humanos.
Os pesquisadores acreditam que o diAcCA pode ser usado junto com outros tratamentos para potencializar os efeitos contra o Alzheimer. O composto também está sendo avaliado para uso em outras doenças inflamatórias, como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e Parkinson.




