A notícia de que a Casa Civil estaria pressionando a presidência dos Correios para demitir milhares de funcionários e vender parte do patrimônio da estatal gerou forte reação. A Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (FENTECT) divulgou uma nota oficial nesta terça-feira (1º), criticando o governo e apontando o ministro Rui Costa como responsável.
No comunicado, a federação classificou a pressão como uma “tentativa covarde” de sacrificar famílias em troca de acordos políticos. A entidade afirmou que um eventual colapso do sistema postal recairá sobre Rui Costa, ministro-chefe da Casa Civil. A federação lembrou que a promessa de campanha do presidente Lula era fortalecer os Correios, não desmontá-los.
Plano de demissões e venda de imóveis
A pressão teria sido feita em uma reunião em junho, na qual o presidente dos Correios, Fabiano Silva, ouviu a sugestão de cortar cerca de 10 mil postos de trabalho e vender imóveis da estatal. A expectativa era arrecadar cerca de R$ 2 bilhões, diante de um prejuízo recorde de R$ 2,6 bilhões em 2024. A ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, também participou da reunião, que foi marcada por clima tenso entre Rui Costa e Fabiano.
Procurado, Rui Costa negou ter sugerido cortes e vendas. Ainda assim, a coluna que revelou as informações manteve a apuração. Na nota, a FENTECT acusou o governo de agir em desacordo com os compromissos firmados com os trabalhadores e anunciou que não aceitará chantagens. A federação afirmou que está pronta para convocar greve geral nacional, caso haja avanço na proposta.
A federação enfatizou que não permitirá que trabalhadores sejam usados como moeda de troca em manobras políticas. Destacou também que, se o governo insistir na demissão em massa, encontrará resistência nas bases sindicais e apoio popular.




