O tradicional açaí brasileiro, cada vez mais popular no exterior, pode se tornar um produto de luxo nos Estados Unidos. Isso porque o ex-presidente Donald Trump voltou a prometer tarifas pesadas sobre produtos brasileiros, e a fruta amazônica está na mira da medida. A possibilidade preocupa produtores e exportadores, que veem o mercado internacional crescer ano após ano.
Em 2024, o Brasil exportou 89 toneladas de purê de açaí, com um faturamento de quase US$ 500 mil — algo em torno de R$ 2,8 milhões, segundo o Ministério da Agricultura. Os EUA são o principal destino dessas exportações, e dependem quase totalmente da produção brasileira para abastecer suas lojas e restaurantes.
Preço pode dobrar nos EUA
A taxação prometida por Trump, que pode chegar a 50%, teria impacto direto nas prateleiras. Hoje, uma tigela de açaí custa entre US$ 13 e US$ 18 (R$ 72 a R$ 100) em redes como Oakberry e Playa Bowls, em Nova York. Com o tarifaço, o preço pode saltar para US$ 27 (cerca de R$ 150), afastando parte dos consumidores.
Comerciantes americanos entrevistados pela agência Reuters demonstraram preocupação com uma possível queda nas vendas caso o produto fique mais caro. A repercussão acendeu o alerta também no Brasil.
Produção concentrada no Pará
A produção nacional de açaí ultrapassou 2 milhões de toneladas em 2024, conforme o IBGE. O Pará lidera o cultivo, respondendo por cerca de 90% do total colhido no país. A eventual redução das exportações afetaria diretamente a economia local.
Em resposta à ameaça, anunciada por Trump nas redes sociais no último dia 9 de julho, o governo brasileiro criou um comitê de negociação. A frente das articulações está o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que conduz conversas com autoridades comerciais dos dois países.
Uma das estratégias do Planalto é mostrar que os prejuízos para empresas americanas podem chegar a cifras bilionárias. A pressão econômica, esperam os negociadores, pode ajudar a evitar que a taxação avance.




