Uma pedra bruta repleta de esmeraldas pode bater recordes em agosto. A canga batizada de “Pequena Notável” vai a leilão no dia 8, com lance mínimo estipulado em R$ 100 milhões. A peça será ofertada pela Bid Leilões e chama atenção não só pelo valor, mas também por suas características incomuns.
A rocha foi encontrada em 2004 em uma mina na Bahia e batizada pelo seu primeiro dono, um colecionador que prefere permanecer anônimo. O apelido “Pequena Notável” homenageia Carmem Miranda, artista brasileira conhecida por seu talento exuberante e estatura baixa.
Apesar de medir 68 centímetros de altura e pesar 92,5 quilos, a canga não está entre as maiores já registradas — mas seu valor está no simbolismo e na raridade. O diferencial está na distribuição uniforme das esmeraldas por toda a superfície da pedra.
Uma escultura natural de 2,4 bilhões de anos
As cangas são formações geológicas que levam milhões — às vezes bilhões — de anos para se formar. No caso da “Pequena Notável”, estima-se que sua origem remonte a 2,4 bilhões de anos, o que significa que essa rocha “presenciou” a formação da própria atmosfera da Terra.
O valor de uma peça como essa vai além da lapidação das gemas. O preço mínimo pode parecer elevado, mas há precedentes que justificam a cifra. Em maio de 2024, uma outra canga de esmeraldas da Bahia, com 137 quilos e dimensões semelhantes, foi arrematada por R$ 175 milhões após ser leiloada com lance inicial de R$ 115 milhões.
Também chama atenção o caso da esmeralda de 380 quilos extraída no estado em 2001, levada ilegalmente para os Estados Unidos e recuperada em 2023. A pedra hoje pertence ao acervo do Museu Nacional do Rio de Janeiro.
Se alcançar o valor esperado, a “Pequena Notável” pode se tornar mais uma joia histórica brasileira a ganhar projeção internacional — seja em exposições, seja como item de coleção de alto prestígio.




