A quantidade de plástico produzida no mundo não para de crescer. Em 1950, eram apenas 2 milhões de toneladas. Em 2022, o número saltou para 475 milhões, segundo a revista científica The Lancet.
E o pior: a expectativa é que a produção triplique até 2060. Outros especialistas dizem que isso pode acontecer antes, já em 2050 — usando um quarto de todo o “orçamento de carbono” ainda disponível no planeta.
Reciclagem não dá conta
Atualmente, só 9% do plástico é reciclado. O relatório é direto: “não é possível resolver a crise do plástico apenas com reciclagem”. O alerta foi feito um dia antes do reinício das negociações entre 180 países em Genebra, que tentam um acordo global para frear a poluição causada por plásticos.
Mesmo com vários países impondo restrições ao uso de itens descartáveis, as indústrias seguem expandindo. Isso trava as conversas e dificulta decisões efetivas.
Plástico alimenta o aquecimento global
Cerca de 99% dos plásticos vêm de combustíveis fósseis. A produção, transformação e descarte desses materiais liberam bilhões de toneladas de gases do efeito estufa. Só em 2019, o setor foi responsável por mais de 5% das emissões mundiais.
Muitos produtos de plástico são essenciais, mas a maior parte ainda é voltada ao uso único. Esse hábito agrava a crise ambiental e reforça o ritmo de aquecimento do planeta.
A União Europeia é uma das únicas regiões onde a produção de plástico caiu. No entanto, o motivo está longe de ser positivo. Os custos altos levaram empresas a migrar a fabricação para fora do continente.
China e Brasil lideram aumento
A China produz cerca de 1/3 do plástico global. Já o Brasil aparece entre os maiores fabricantes do planeta. Em 2019, o país ocupava a 4ª posição mundial.
A produção brasileira saltou de 11 milhões para 13,7 milhões de toneladas em apenas três anos. Isso equivale a 64 quilos de plástico por pessoa, só em 2022.
Segundo a Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais), mais de 3 milhões de toneladas de lixo acabam todos os anos nos rios e oceanos do Brasil. É o bastante para cobrir 7 mil campos de futebol.




