Um grupo de entregadores realizou um protesto nesta terça-feira (5) em frente ao iFood Move, evento promovido pela plataforma de delivery no São Paulo Expo.
A manifestação aconteceu enquanto empresários e celebridades, como o velocista Usain Bolt, participavam do encontro. Nenhum entregador foi convidado para o evento, que teve ingressos vendidos a até R$ 1,3 mil por dia.
Antes, os trabalhadores se reuniram no estacionamento do Plaza Sul Shopping. Segundo eles, seguranças que se identificaram como funcionários do iFood tentaram impedir a ação. Apesar disso, os manifestantes seguiram em direção ao evento com faixas criticando a empresa. Muitos protestavam contra o que chamam de “escravidão moderna”.
Além de São Paulo, o ato reuniu trabalhadores de outras regiões, como Campinas, Mogi Guaçu, Sorocaba, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Santa Catarina. Com a ajuda de uma vaquinha online, organizaram um churrasco próximo à entrada do iFood Move.
Investimento bilionário e críticas ao modelo de negócios
Durante o evento, o CEO do iFood, Diego Barreto, apresentou a “Cris”, uma inteligência artificial para restaurantes, e anunciou investimentos de R$ 17 bilhões até 2026. Segundo a empresa, suas atividades movimentam R$ 140 bilhões por ano e representam 0,64% do PIB nacional.
O evento também trouxe debates sobre inovação e empreendedorismo. Para os entregadores, no entanto, o cenário é bem diferente do discurso oficial. Eles afirma que esse verniz de modernidade esconde a exploração do nosso trabalho. Os entregadores também criticam os altos valores dos ingressos.
Pauta dos entregadores
O protesto também serviu para reforçar a luta pela aprovação do projeto de lei 2479/2025, apresentado por Guilherme Boulos (Psol), com base nas demandas do movimento dos entregadores. Entre os principais pontos estão:
- Taxa mínima de R$ 10 por entrega (até 3 km para bicicletas e 4 km para motos)
- R$ 2,50 por km adicional
- Fim do agrupamento de pedidos
- Pontos obrigatórios com água, banheiro e tomadas
Após a última paralisação, o iFood subiu a taxa mínima de R$ 6,50 para R$ 7 no caso de bicicletas e R$ 7,50 para motos. Mas os entregadores consideram o valor insuficiente e mantêm a cobrança por R$ 10 como prioridade.
Outro alvo de críticas é o sistema de subpraças, já implantado em cidades como Curitiba, Recife e Campinas. Nesse modelo, o entregador agenda o turno e recebe um valor por hora mais um extra por entrega. Muitos reclamam que a remuneração por entrega pode cair para R$ 3,50 e que pedidos deixam de chegar a quem não aderiu ao sistema.
Durante o ato, adesivos e cartazes pediam o fim dessa modalidade. Segundo os entregadores, o modelo impõe restrições e reduz ainda mais os ganhos.
Resposta do iFood
Em entrevista à imprensa, Diego Barreto afirmou que respeita o direito à manifestação e negou que os entregadores tenham sido excluídos do evento, e que tinham vários presentes. Para ele, o evento é aberto a todos.
Sobre os R$ 17 bilhões anunciados, o CEO afirmou que parte será investida em infraestrutura e pontos de apoio, que atualmente somam 400 unidades no país. Quanto ao projeto de lei proposto pelos entregadores, disse que o texto ainda precisa ser debatido.




