O mercado de petróleo ganhou um novo protagonista. A América do Sul está vivendo um crescimento acelerado na produção e já é considerada a região mais promissora do planeta no setor de óleo e gás.
Em 2024, o continente extraiu quase 40% do volume produzido na América do Norte. A consultoria Wood Mackenzie projeta que, até 2030, o avanço será de cerca de um terço. É mais que o dobro da taxa prevista para a América do Norte e maior até que o crescimento esperado no Oriente Médio.
Brasil desponta com grandes descobertas
O Brasil lidera esse movimento. Só neste ano, a produção de petróleo bruto deve subir 10%, ultrapassando 3,7 milhões de barris por dia, segundo a Rystad Energy. O destaque vai para a descoberta do campo Bumerangue, feita pela BP a 400 km da costa do Rio de Janeiro.
É o maior achado da companhia britânica em 25 anos e deve movimentar ainda mais o setor. Próximo dali, a norueguesa Equinor já atua em dois campos e outras gigantes, como Chevron, Shell, TotalEnergies e Petrobras, também expandem operações.
A descoberta promete atrair atenção para o leilão de blocos de petróleo marcado para outubro, reforçando a posição do Brasil no cenário global.
Guiana cresce em ritmo acelerado
Com menos de 1 milhão de habitantes, a Guiana é outro destaque. A produção local deve subir 12% em 2025, alcançando cerca de 690 mil barris diários. A expectativa é chegar a 1,2 milhão por dia até o fim da década.
O motor desse crescimento é o Bloco Stabroek, localizado a 200 km da capital, Georgetown. O campo foi centro de disputa entre ExxonMobil e Chevron, que adquiriu a Hess, empresa que detinha participação no projeto. Após decisão favorável de um tribunal em Paris, a Chevron ficou com o controle da operação.
Argentina entra na disputa
Na Argentina, a retomada do setor acontece após anos de entraves. Sob o governo de Javier Milei, a produção cresce, puxada pela formação de xisto Vaca Muerta. No primeiro trimestre de 2025, a extração na região avançou 26% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
A previsão é de um salto ainda maior com a construção de um oleoduto capaz de transportar 700 mil barris por dia até a costa atlântica, com início previsto para 2027.
Nos Estados Unidos, a revolução do xisto iniciada na década de 2010 já mostra sinais de desgaste com o envelhecimento dos campos. Para analistas, a próxima fase da indústria mundial de petróleo tem endereço certo — e ele fica ao sul do Equador.




