O presidente Donald Trump insiste que as tarifas não pesam no bolso da população. Segundo ele, o impacto é absorvido por empresas e governos estrangeiros. Mas análises econômicas recentes apontam o contrário: os consumidores e empresas americanas já estão arcando com os custos.
Trump publicou no Truth Social que as tarifas não causaram inflação e que o dinheiro está entrando nos cofres do Tesouro sem afetar os cidadãos. Porém, economistas e pesquisas mostram que os preços de importação continuam praticamente estáveis, sem a queda que seria esperada se exportadores estrangeiros estivessem absorvendo o impacto.
Os economistas Samuel Tombs e Oliver Allen, da Pantheon, destacam que mesmo com a queda nas importações no segundo trimestre de 2025, os preços resistiram. Isso indica que não há perspectiva de uma queda acentuada pela frente.
Pressão sobre empresas
O chefe de pesquisa econômica da Fitch Ratings, Olu Sonola, afirma que quem está pagando a conta são os importadores americanos. Para ele, agora as empresas precisam decidir até onde podem absorver os custos e quando repassá-los ao consumidor.
Até junho, os consumidores americanos absorveram 22% dos custos tarifários. Mas, segundo o Goldman Sachs, esse índice deve saltar para 67% até outubro. No longo prazo, o peso pode chegar a 100%, considerando efeitos secundários e reajustes de preços feitos por produtores locais.
Mesmo com a inflação geral sob controle, alguns setores já sentiram o reflexo das tarifas. Produtos como móveis, roupas de cama, brinquedos e artigos esportivos subiram até 5% acima das previsões anteriores. Bens produzidos nos EUA também encareceram, com alta em torno de 3%, de acordo com pesquisa do professor Alberto Cavallo, da Harvard Business School.




