Um campo de gás natural escondido no meio da floresta amazônica foi vendido pela Petrobras em 2017 por apenas US$ 54,5 milhões. Na época, o valor não chamou atenção. Mas hoje, essa área se tornou estratégica para o fornecimento de energia no Norte do Brasil.
O Campo de Azulão, no Amazonas, foi repassado à empresa Eneva como parte do programa de desinvestimentos da estatal. Anos depois, virou o centro de uma operação inovadora que leva gás natural até Roraima para geração de energia elétrica.
De campo esquecido a peça-chave no Norte
Descoberto pela Petrobras em 1999, o campo nunca havia sido totalmente explorado. A localização remota e a falta de estrutura tornavam o projeto caro demais para os planos da estatal, que focava no pré-sal e em regiões mais rentáveis.
Mas a Eneva enxergou ali uma oportunidade. Comprou o campo e, em poucos anos, mudou sua história. A empresa implantou uma operação integrada: extrai o gás, transforma em gás liquefeito (GNL), leva por caminhões até Roraima e o utiliza na geração de energia.
Inovação em meio à floresta
Desde maio de 2021, a Usina Termelétrica Jaguatirica II, em Boa Vista (RR), funciona com gás vindo direto do Amazonas. A usina tem capacidade de gerar 141 megawatts — o suficiente para suprir 40% do consumo de energia do estado.
O trajeto não é simples: o gás percorre quase 1.000 quilômetros por rodovia em caminhões que transportam 20 mil litros de GNL cada. A operação funciona 24 horas por dia, sem parar.
Roraima sem apagões
Roraima era o único estado brasileiro fora do Sistema Interligado Nacional (SIN). Dependia da energia da Venezuela, que era instável desde 2016. O novo sistema mudou esse cenário.
Com a usina em funcionamento, o estado reduziu os apagões e parou de usar usinas a diesel — que eram caras e poluentes. O resultado foi mais segurança energética, economia e menor emissão de gases poluentes.
O caso do campo Azulão mostra que ativos considerados “pequenos” podem ter grande impacto quando usados com planejamento e inovação. O projeto criou uma solução inédita no Brasil para levar energia a regiões isoladas e, de quebra, impulsionou o desenvolvimento local.




