Um grupo criminoso que atuava em Porto Alegre, registrando clientes na saída de motéis para depois extorquir dinheiro, foi alvo de uma operação policial nesta terça-feira (26).
A investigação apontou que o esquema era coordenado por detentos do sistema prisional e envolvia ameaças, envio de fotos e cobrança de altas quantias via Pix.
Como o golpe funcionava
Segundo a Polícia Civil, o grupo vinha monitorando motéis da cidade desde maio. A estratégia consistia em identificar clientes de veículos de luxo, fotografá-los na entrada ou saída dos estabelecimentos e, em seguida, exigir pagamentos para não divulgar o material.
Os criminosos se passavam por detetives particulares, alegando terem sido contratados por parceiros ou parceiras dos clientes.
Os golpistas utilizavam uma combinação de tecnologia e intimidação, chegando a exigir valores que chegavam a R$ 15 mil por vítima. Muitas pessoas eram ameaçadas a revelar detalhes pessoais sensíveis.
Uma mulher de 27 anos foi presa em Eldorado do Sul e apontada como responsável pela vigilância externa dos motéis e pelo contato direto com as vítimas.
Coordenação de dentro do sistema prisional
A investigação também revelou que o núcleo central do esquema estava dentro do Complexo Prisional de Charqueadas. Um detento de 32 anos, com histórico criminal extenso, atuava como coordenador, consultando dados sobre veículos e proprietários e repassando informações para os cúmplices fora da prisão. Outros três presos formavam um núcleo operacional, realizando tarefas de coleta de informações e organização das extorsões.
Impacto e desdobramentos
Até o momento, 10 vítimas foram identificadas, mas a polícia acredita que o número real seja maior, já que muitas pessoas não registraram ocorrência por vergonha ou medo. A operação cumpre nove mandados judiciais, cinco de prisão preventiva e quatro de busca e apreensão, com o objetivo de desarticular toda a rede envolvida.
A ação reforça a atenção das autoridades para crimes cibernéticos e extorsão, especialmente aqueles ligados a facções e operações coordenadas dentro do sistema prisional, mostrando como a criminalidade evolui e busca novas formas de lucro ilícito.




