A direção dos Correios decidiu suspender a licitação que previa a contratação de quatro agências de publicidade. O valor total do contrato chegaria a R$ 380 milhões por ano.
A medida foi tomada no fim de junho, após reunião do Conselho de Administração, e atende a um pedido do presidente da estatal, Fabiano Silva. A suspensão pode ser revista caso a situação financeira da empresa melhore nos próximos meses.
Crise histórica e corte de gastos
A estatal vive seu pior momento financeiro. Apenas no primeiro trimestre de 2025, o prejuízo foi de R$ 1,7 bilhão. No ano passado, o rombo foi ainda maior: R$ 2,6 bilhões. Em resposta à crise, os Correios prometeram à equipe econômica cortar R$ 1,5 bilhão até o fim do ano.
Entre as estratégias adotadas está o Plano de Desligamento Voluntário (PDV), que deve gerar economia anual de R$ 1 bilhão. A empresa também negocia um empréstimo de R$ 3,8 bilhões com o Banco do Brics, presidido por Dilma Rousseff.
O edital das agências gerava polêmica por dois motivos. O primeiro, a difícil situação fiscal dos Correios. O segundo, o envolvimento de três agências finalistas em investigações ligadas ao PT. Apesar disso, uma análise técnica do Tribunal de Contas da União concluiu que não houve irregularidades no processo.
Presidente pode deixar o cargo
A tensão aumentou após Fabiano Silva pedir demissão ao presidente Lula no dia 4 de julho. O pedido aconteceu uma semana depois da reunião que suspendeu a licitação. Até agora, o Palácio do Planalto não indicou um substituto.
O mandato de Silva termina em 6 de agosto. Se não for reconduzido pelo Conselho de Administração até essa data, precisará deixar o comando da estatal. Até lá, segue no cargo.




