A Polícia Federal investiga um grupo suspeito de ter invadido cerca de 3.000 contas do portal gov.br. Os criminosos teriam burlado o sistema de biometria facial da plataforma, principal porta de entrada para serviços públicos digitais.
A investigação começou após uma denúncia do Ministério da Gestão envolvendo seis contas. Mas ao aprofundar as apurações, os agentes encontraram indícios de um esquema muito mais amplo e com uso de tecnologias sofisticadas.
Nesta terça-feira (14), a Polícia Federal deflagrou a operação “Face Off”. A Justiça Federal de Brasília autorizou 16 mandados de busca e cinco de prisão. Três pessoas foram presas até o momento. Os mandados foram cumpridos em São Paulo, Minas Gerais, Ceará, Paraíba, Mato Grosso, Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro e Tocantins.
Fraudes com dados de falecidos
Parte do esquema consistia em se passar por pessoas já falecidas. Com isso, os criminosos tentavam acessar valores que seriam destinados às famílias, como recursos esquecidos no Banco Central. Usavam a identidade das vítimas para enganar o sistema de reconhecimento facial.
O grupo também fraudava o aplicativo da Previdência Social para solicitar empréstimos consignados. Eles conseguiram burlar a função “liveness”, que verifica se a imagem é de uma pessoa real. Assim, conseguiam simular a presença do beneficiário e liberar valores indevidamente.
Segundo a PF, os golpistas tinham conhecimento técnico avançado. Eles conseguiram passar pela validação facial com grau de semelhança suficiente para serem aprovados. O sistema do gov.br cruza informações com as bases da CNH e do TSE.
As investigações mostraram que os criminosos conseguiram explorar essas brechas com precisão. O caso foi revelado pelo site Metrópoles e confirmado pelo UOL.
Os envolvidos poderão responder por crimes como invasão de dispositivo informático qualificada e associação criminosa. A operação segue em andamento para capturar os dois foragidos e rastrear outros possíveis envolvidos.




