O Brasil enfrenta o risco de sofrer novas tarifas dos Estados Unidos por importar fertilizantes da Rússia, seu principal fornecedor. Esse cenário pode prejudicar a produção agrícola e encarecer os custos para agricultores e consumidores.
Fertilizantes químicos são essenciais para preparar e nutrir o solo antes do plantio. Eles ajudam a garantir a produtividade das culturas, especialmente em solos pobres, como os brasileiros.
O Brasil depende muito da importação desses insumos, principalmente do NPK — três elementos fundamentais para o cultivo:
- Nitrogênio (N), do qual o país importa 95%;
- Fosfato (P), com 75% vindo do exterior;
- Potássio (K), em 91% importado.
Por que essa dependência?
O país não tem reservas suficientes para produzir internamente boa parte desses componentes. Por exemplo, o potássio está concentrado em poucos países, como Canadá, Rússia e Bielorrússia.
Já a produção de fertilizantes nitrogenados requer gás natural barato, algo que o Brasil não possui, o que torna a indústria local menos competitiva.
No caso do fosfato, as reservas brasileiras são menores e mais caras de explorar. Além disso, a agricultura brasileira consome mais fertilizantes do que a produção nacional consegue oferecer. Isso se deve ao fato de que nosso solo é pobre em nutrientes e exige adubação frequente, principalmente para culturas como soja, milho, café e cana-de-açúcar.
Outro fator que pesa é o custo. Importar fertilizantes sai mais barato, pois a logística no Brasil é cara e a infraestrutura limitada.
O cenário internacional e as tarifas dos EUA
Na última quarta-feira (6), o então presidente Donald Trump aplicou uma tarifa extra sobre a Índia por comprar petróleo da Rússia, alegando que isso ajuda a financiar a guerra na Ucrânia.
Com isso, as taxas para a Índia subiram a 50%, mesmo patamar aplicado ao Brasil, tornando os dois países os mais taxados na visão do governo americano.
Trump também indicou que novas tarifas podem ser aplicadas. Se o Brasil for alvo dessas medidas, o impacto poderá chegar à cadeia de produção de alimentos, aumentando custos para todos.
Possíveis soluções e desafios
O Brasil conta com o Plano Nacional de Fertilizantes, lançado em 2022, que prevê aumentar a produção interna para suprir entre 45% e 50% da demanda até 2050. O governo pretende investir mais de R$ 25 bilhões até 2030 para alcançar essa meta.
Especialistas, porém, alertam que será preciso ampliar os investimentos, melhorar a infraestrutura e criar incentivos para fortalecer a produção local.




