A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) teve participação direta na descrição de 260 novas espécies entre 2015 e 2024. Os estudos foram realizados em todas as regiões do Brasil e também em países como Argentina, México, Venezuela, Bolívia e Rússia.
Os dados mostram o papel essencial da instituição, ligada ao Ministério da Saúde, no avanço da ciência e da vigilância em saúde pública.
Espécies que envolvem insetos, microrganismos e até mamíferos
Entre as espécies descritas, estão 107 insetos da ordem Hemíptera, como percevejos e barbeiros, e 30 da ordem Díptera, grupo que inclui moscas e mosquitos. A fundação também participou da identificação de diversos microrganismos, como bactérias e protozoários, além de uma nova espécie de mamífero.
Essas descobertas não servem apenas para ampliar o conhecimento científico. Elas são importantes para o controle de doenças e a proteção da população contra possíveis contaminações.
Inseto que transmite doença de Chagas foi identificado
Um dos casos marcantes aconteceu em 2022, quando cientistas da Fiocruz identificaram o Panstrongylus noireaui, coletado na Bolívia. Esse inseto pode transmitir o Trypanosoma cruzi, protozoário causador da doença de Chagas.
Outro exemplo é o Oligoryzomys gri, um rato-silvestre de Rondônia. Ele é o principal hospedeiro de um tipo de hantavírus encontrado no rio Mamoré, que pode causar doenças graves em humanos, com febre alta e complicações pulmonares ou renais.
Parceria identificou parasitas em peixes
Em 2024, a Fiocruz atuou ao lado da Universidade Estadual do Maranhão na identificação de sete novas espécies de parasitas de peixes. Eles não oferecem risco direto à saúde humana, mas podem causar prejuízos econômicos para pescadores e comunidades ribeirinhas.
O trabalho de identificação dessas espécies ajuda a entender a cadeia de transmissão de doenças entre animais e humanos. Conhecer o inimigo é o primeiro passo para saber como se proteger.
A Fiocruz segue sendo um dos pilares da ciência e saúde no Brasil. Ao longo dos anos, atuou no combate à varíola, febre amarela, malária, peste e, mais recentemente, foi uma das responsáveis pela produção da vacina contra a Covid-19.




