Por muito tempo chamado de DNA “lixo”, um grupo de sequências genéticas consideradas inúteis pode ter um papel essencial no funcionamento do corpo humano.
Um novo estudo revela que esses trechos, que representam quase metade do nosso material genético, ajudam a controlar quais genes ficam ativos ou inativos — especialmente nas primeiras fases do desenvolvimento.
Cerca de 8% do nosso DNA vem de retrovírus que infectaram ancestrais humanos há milhões de anos. Esses fragmentos, chamados de elementos transponíveis (TEs), conseguem “pular” de um ponto a outro do genoma.
No passado, eram vistos apenas como restos sem função. Agora, cientistas indicam que eles influenciam a forma como o corpo cresce e se adapta.
Segundo o professor Fumitaka Inoue, da Universidade de Kyoto, entender como esses elementos agem pode revelar detalhes sobre nossa evolução e até abrir caminho para novas terapias genéticas.
Os pesquisadores analisaram um grupo específico de TEs, batizado de “MER11”. A equipe identificou quatro subfamílias inéditas, incluindo a MER11_G4, que mostrou forte capacidade de ativar genes em células-tronco e neurais.
Esse efeito pode ter sido decisivo para o desenvolvimento humano e para a maneira como nossos genes respondem a mudanças ambientais.
Possíveis impactos na medicina
Estudos recentes já apontaram ligação entre elementos transponíveis e doenças como o câncer. Em alguns casos, silenciar determinados TEs pode tornar tratamentos mais eficazes.
Para o professor Lin He, da Universidade da Califórnia, parte desses vírus antigos foi “domesticada” pelo genoma humano, passando de ameaça a ferramenta evolutiva.
A pesquisa reforça a ideia de que nosso DNA guarda marcas da história evolutiva. Comparando o genoma de humanos e outros primatas, os cientistas concluíram que certos TEs evoluíram de forma distinta em cada espécie, moldando características únicas.




