Ela chama atenção pela aparência, mas está devastando silenciosamente a Mata Atlântica. A leucena, árvore de origem mexicana, foi trazida ao Brasil nos anos 1970 com uma boa intenção: servir de alimento para o gado. Mas o que parecia uma alternativa promissora virou ameaça.
A planta se espalha com facilidade, cresce rápido e se adapta a vários tipos de solo, principalmente em áreas abertas ou já degradadas. Com isso, ocupa o espaço que antes pertencia à vegetação nativa.
Uma ameaça real à biodiversidade
A leucena produz uma grande quantidade de sementes e forma bosques densos em pouco tempo. Esse avanço sufoca espécies nativas, reduz a diversidade local e altera completamente a dinâmica natural das florestas.
Para piorar, a árvore libera uma substância chamada mimosina, que impede o crescimento de outras plantas ao redor. Estudos apontam que a leucena pode reduzir em até 70% a variedade de plantas em regiões onde se instala.
O impacto vai além da flora. A perda de diversidade vegetal afeta também os animais que dependem dessas plantas. O ecossistema perde força, e áreas antes ricas em vida se transformam em ambientes quase estéreis, dominados por uma única espécie. Se nada for feito, o avanço da leucena pode causar danos irreversíveis às florestas brasileiras.
Lei contra a leucena já é realidade em MS
A cidade de Campo Grande (MS) deu um passo importante no combate à invasora. Uma lei municipal sancionada recentemente proíbe o plantio, transporte, comércio e produção da leucena. A norma também prevê multas de até R$ 1.000 para quem desrespeitar a medida.
Além disso, a legislação exige o mapeamento das áreas afetadas. As árvores serão retiradas e substituídas por espécies nativas. A expectativa é que a ação sirva de exemplo para outras regiões do país.
Iniciativas parecidas também estão em andamento em municípios de São Paulo, Paraná, Minas Gerais e até em Fernando de Noronha. A remoção da leucena tem sido tratada como prioridade, principalmente em áreas próximas a rios e córregos.
O que ainda precisa ser feito?
Para conter o avanço da leucena, especialistas alertam: é preciso investir em políticas públicas, educação ambiental e restauração das áreas degradadas. Mais que proibir o plantio, é necessário recuperar o que foi perdido.
O esforço precisa ser coletivo. Governos, ONGs, pesquisadores e população devem caminhar juntos para proteger a Mata Atlântica de uma ameaça que, apesar de discreta, já mostra efeitos devastadores.




