Pesquisadores acreditam ter encontrado uma explicação para o estranho comportamento de certas estrelas localizadas no centro da Via Láctea. De acordo com um novo estudo, esses astros podem ter sua vida útil prolongada — ou até se tornarem praticamente imortais — ao consumir matéria escura como fonte de energia.
O trabalho, desenvolvido por cientistas da Universidade de Estocolmo, na Suécia, e da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, foi publicado em 18 de julho na revista científica Physical Review D.
Astrônomos já haviam observado que algumas estrelas no coração da galáxia parecem mais jovens do que deveriam ser, considerando suas massas. Esse comportamento, apelidado de “paradoxo da juventude”, sempre intrigou os cientistas. Ao mesmo tempo, a escassez de estrelas realmente antigas naquela região gerou o chamado “enigma da velhice”.
Simulação revela o papel da matéria escura
Para investigar o fenômeno, os autores do estudo criaram simulações de computador mostrando o que acontece quando partículas de matéria escura colidem com o interior de uma estrela.
Nessas interações, a partícula perde energia e acaba presa dentro do astro. Se houver muitas partículas acumuladas, elas podem se aniquilar entre si — e isso libera uma quantidade adicional de energia. Esse processo pode manter a estrela ativa por mais tempo.
Possível imortalidade estelar?
Como o centro da Via Láctea é rico em matéria escura, a equipe sugere que esse mecanismo pode fazer com que certas estrelas praticamente deixem de envelhecer. Ou seja, se mantiverem esse suprimento invisível de energia, elas poderiam se tornar “imortais”.
Apesar da hipótese intrigante, os cientistas alertam que ainda faltam dados concretos para confirmar a teoria. O estudo é baseado em modelos teóricos comuns sobre o comportamento da matéria escura, que ainda é um dos maiores mistérios do universo.
A próxima etapa é comparar esses resultados com dados reais captados por telescópios. Isso pode ajudar a identificar quais estrelas, no coração da galáxia, estão realmente sendo sustentadas por esse processo incomum — e possivelmente eterno.




