O hábito de buscar produtos usados por preços mais baixos pode acabar saindo caro. Um novo relatório da Zenox, empresa de cibersegurança e inteligência de dados, acendeu o alerta para um golpe que vem enganando milhares de consumidores: a falsificação de recibos digitais com aparência quase idêntica aos originais.
Segundo o estudo, publicado em julho, os criminosos usam documentos forjados para aplicar golpes em plataformas de revenda, redes sociais e marketplaces. Os recibos copiam detalhes como data, valor da compra, marcas e até endereços de e-mail, passando por documentos legítimos com facilidade.
Golpistas não precisam de conhecimento técnico
O esquema funciona de forma simples e acessível até para quem não entende de tecnologia. Com o pagamento de uma taxa, os estelionatários conseguem acessar ferramentas online que geram recibos falsos automaticamente. Basta preencher um formulário com informações básicas, como nome do comprador, valor e marca.
Em poucos segundos, o sistema entrega o documento pronto em PDF, imagem ou até simulação de e-mail. As marcas mais visadas costumam ser grifes de luxo ou empresas populares, escolhidas para dar mais credibilidade ao golpe.
Vítima só percebe o golpe quando é tarde
Os recibos são usados principalmente para revender produtos de origem suspeita, como itens falsificados, furtados ou até danificados. Para o consumidor, o documento funciona como um selo de procedência. Só quando surge um problema e ele busca atendimento da marca é que percebe que a compra nunca existiu nos registros oficiais.
A fraude afeta especialmente o consumidor final. Pequenos varejistas ou lojas costumam ter sistemas mais rígidos e não são o alvo preferencial dos golpistas. O prejuízo, na maioria das vezes, recai sobre quem apenas buscava uma boa oferta.
Golpe impacta também as marcas e plataformas
Além dos consumidores, as plataformas de venda também enfrentam as consequências. Casos como esse geram perda de credibilidade, aumento de reembolsos e até denúncias públicas. O acúmulo de fraudes pode pesar no bolso e na reputação dos marketplaces, que muitas vezes são vistos como coniventes.
As marcas envolvidas, mesmo sem ligação direta com os golpistas, também sofrem. Quando o crime não é descoberto, a imagem da empresa acaba associada a produtos falsificados. E quando a fraude vem à tona, sobra para o atendimento lidar com o desgaste do cliente enganado.
Embora muitos vejam o golpe como algo isolado, os números mostram um cenário preocupante. Só em 2024, a pirataria gerou um prejuízo estimado em R$ 471 bilhões no país, de acordo com a Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF). O golpe do recibo é apenas uma das muitas frentes desse mercado paralelo cada vez mais sofisticado.




