Quatro cuidadoras de idosos foram indiciadas em Juiz de Fora, Minas Gerais, após desviarem mais de R$ 2 milhões de um auditor fiscal aposentado de 62 anos. Além do prejuízo financeiro, a vítima sofreu maus-tratos que contribuíram para sua morte.
Segundo a investigação da Polícia Civil, as suspeitas conheciam-se e agiam em conjunto. Durante quatro anos, desviaram recursos da aposentadoria do homem, que recebia cerca de R$ 30 mil líquidos, mas ficou impossibilitado de manter seu plano de saúde.
A perícia constatou que o idoso vivia em condições insalubres. Havia forte odor de fezes e urina no apartamento, e móveis, como o sofá, estavam deteriorados.
Morte e denúncia
O idoso faleceu em junho, em um hospital público, vítima de infecção generalizada. O caso só foi denunciado após duas sobrinhas tomarem conhecimento das condições em que ele vivia e comunicarem as autoridades.
A Polícia Civil pediu à Justiça a prisão preventiva das quatro cuidadoras, além do sequestro e acautelamento de seus bens. Até o momento, elas continuam em liberdade. Caso condenadas, podem cumprir até 30 anos de prisão.
Proteção e prevenção
Em junho, o Governo Federal publicou portaria que prioriza o atendimento de denúncias de violência contra idosos pelo Disque 100, da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, dando atenção especial a pessoas com mais de 80 anos.
O documento define violência contra idosos como qualquer ação ou omissão que cause sofrimento físico ou psicológico, em espaço público ou privado. São cinco as categorias: física, financeira ou patrimonial, psicológica, sexual e institucional. Todas as denúncias devem ser registradas, independentemente da categoria.




