Quem já assistiu a um infomercial sabe que vender ao vivo exige talento. Encantar quem está em casa só com a voz e o produto é quase uma arte. Foi exatamente essa dinâmica que o empresário chinês Luo Yonghao usou para faturar US$ 7 milhões em apenas seis horas de transmissão.
A diferença? Nem ele, nem seu co-apresentador estavam lá. Seus gêmeos digitais, criados com inteligência artificial, deram conta do recado — e melhor do que eles mesmos faziam antes.
O sucesso do experimento de Yonghao reacendeu uma discussão: será que a IA vai substituir equipes criativas inteiras? Em junho, Mark Zuckerberg, CEO da Meta, anunciou planos ousados. A empresa quer automatizar até 2026 toda a criação, o direcionamento e a veiculação de anúncios digitais usando inteligência artificial. Isso inclui abrir mão de times de criação e de mídia.
A proposta pode transformar o mercado publicitário. Por décadas, as agências foram sinônimo de ideias originais, estratégias ousadas e campanhas que marcaram época. Mas se o modelo da Meta vingar, muitas delas correm risco de fechar as portas.
IA já cria vídeos que viralizam
Essa mudança não é só teoria. No mês passado, a empresa Kalshi lançou um comercial 100% criado por inteligência artificial. O vídeo, dirigido pelo influenciador P.J. Accetturo, foi exibido durante as finais da NBA no YouTube TV.
A produção, que poderia levar semanas com equipes completas de filmagem, ficou pronta em apenas dois dias usando IA. O tom mistura memes e referências a videogames, chamando a atenção do público.
A AMC Networks também aderiu à onda tecnológica. A emissora firmou parceria com a startup de IA Runway. Com a tecnologia, consegue agilizar a criação de trailers, peças de divulgação e até protótipos de projetos, segundo o Los Angeles Times.
Humanos ainda têm espaço?
Em Mad Men, série que retrata a era de ouro da publicidade, Don Draper conquistava clientes com apresentações emocionantes. No famoso episódio “The Wheel”, ele transforma um projetor de slides em símbolo de nostalgia, mostrando o poder das palavras para encantar.
Mas será que hoje ainda precisamos desse toque humano? Ou as máquinas podem dar conta sozinhas? Para alguns nomes do mercado, como Yonghao e Accetturo, a IA já faz o trabalho tão bem — ou até melhor. Ferramentas como Midjourney criam imagens fotorrealistas em minutos, reduzindo a necessidade de fotógrafos e estúdios.
Mesmo assim, especialistas acreditam que as agências podem encolher, mas não desaparecer totalmente. A criatividade humana pode encontrar novos caminhos, se unindo à tecnologia para entregar campanhas mais relevantes.




