Pesquisadores reuniram 34 registros de orcas que, entre 2004 e 2024, entregaram peixes e até aves e filhotes de foca mortos a seres humanos. Os casos intrigam estudiosos que agora tentam entender o que está por trás desse comportamento incomum.
O primeiro caso registrado por Jared Towers, diretor da equipe Bay Cetology, no Canadá, aconteceu quando uma jovem orca se aproximou de uma câmera submersa, abriu a boca e deixou escapar uma ave marinha morta. Ela observou atentamente a reação do pesquisador e, segundos depois, engoliu o “presente” de volta.
Tempos depois, outra orca deixou um filhote de foca morto ao lado do barco de Towers. Em ambos os casos, os animais pareciam esperar alguma resposta humana antes de recuperar a presa ou deixá-la para trás.
O que motiva esse comportamento?
A pesquisa, publicada no Journal of Comparative Psychology, sugere diferentes hipóteses. Uma delas é que as orcas estariam testando a reação humana, como parte de um processo de exploração e aprendizado. A teoria de que estariam brincando é pouco provável, já que adultos e jovens adotam o mesmo comportamento.
Outra possibilidade seria o uso de iscas, como fazem para atrair e capturar presas. No entanto, não há qualquer registro de orcas atacando humanos em ambiente selvagem.
Curiosas, empáticas e muito espertas
Especialistas apontam que as orcas estão entre os animais mais inteligentes do planeta. Elas têm cérebros grandes e estruturas associadas à empatia. E são conhecidas por matar presas muito maiores que elas — o que pode fazer sobrar comida.
Para Philippa Brakes, ecologista da Universidade de Exeter, os presentes podem ter raízes em comportamentos altruístas ou mesmo biológicos. Ela compara a atitude com a de um animal adulto que compartilha alimento com um filhote.
Comportamento não é isolado
As orcas que ofereceram alimentos não seguiam um padrão fixo: eram fêmeas e machos, jovens e adultos, em diferentes regiões do mundo. Em quase todos os registros, os animais esperaram uma reação dos humanos antes de retomarem ou abandonarem a presa.
Em apenas quatro casos as pessoas coletaram o que foi entregue — e, em três deles, devolveram ao mar logo em seguida.




