Preta Gil faleceu neste domingo (20), aos 50 anos, após uma longa batalha contra um câncer no intestino. Ela estava nos Estados Unidos, onde fazia tratamento. Filha de Gilberto Gil, sobrinha de Caetano Veloso e afilhada de Gal Costa, a cantora construiu uma carreira sólida e multifacetada, marcada por autenticidade, representatividade e paixão pela música.
Foi só aos 29 anos que Preta decidiu seguir profissionalmente a carreira de cantora. Deixou para trás a publicidade e a produção e lançou o primeiro álbum, “Prêt-à-Porter”, que trazia a faixa “Sinais de Fogo”, composta por Ana Carolina especialmente para ela. O disco também chamou atenção por estampar a cantora nua na capa, gerando polêmica na época.
A força do palco
Com o tempo, Preta ganhou ainda mais espaço. Em 2010, lançou o terceiro álbum, “Noite Preta”, que virou uma festa itinerante e percorreu o país por sete anos. O projeto abriu portas para o “Baile da Preta”, um show que misturava estilos e homenageava a diversidade musical brasileira.
No mesmo ano em que lançou “Noite Preta”, Preta Gil criou um dos maiores blocos de carnaval do Rio de Janeiro. O “Bloco da Preta” estreou em 2010 e, sete anos depois, já reunia mais de 500 mil pessoas nas ruas do Centro. A apresentação de 2017 homenageou Chacrinha e foi considerada um dos momentos mais marcantes de sua carreira.
Diversidade em tudo
Em 2017, Preta lançou o álbum “Todas as Cores”, que contou com participações especiais de Pabllo Vittar, Marília Mendonça e Gal Costa. A faixa “Botando a fila para andar”, outra parceria com Ana Carolina, ganhou destaque.
Pouco depois, em 2021, gravou “Meu Xodó” com o filho, Fran. Segundo Preta, essa música foi um impulso emocional em um momento difícil.
A carreira de Preta não ficou restrita aos palcos. Ela também fez aparições em novelas e programas de TV como “Ó Paí, Ó”, “Vai que Cola” e “As Cariocas”. Em 2005, apresentou o programa “Vai e Vem”, com conversas sobre sexualidade em um cenário inusitado: um elevador.
Empreendedora e influente
Paralelamente à carreira artística, Preta também se destacou como empresária. Foi uma das sócias da agência Mynd, que cuidava da imagem de artistas como Luísa Sonza, Pabllo Vittar e Camilla de Lucas.
Com voz marcante, carisma e coragem para ser quem era, Preta Gil deixa um legado que vai além da música. Sua trajetória foi feita de escolhas firmes, celebração da diversidade e presença constante na cultura brasileira. Uma artista que usou seu espaço para dar voz a muitos — e que jamais será esquecida.




