A conexão direta entre celulares e satélites de baixa órbita está perto de se consolidar como tendência global. Segundo projeção da consultoria Gartner, esse novo mercado deve movimentar cerca de US$ 14,8 bilhões, o equivalente a R$ 80 bilhões, em 2026. O crescimento é de 24,5% em relação a 2025.
Essa tecnologia é conhecida como direct-to-device, ou D2D, e permite que smartphones se conectem diretamente com satélites. A maior parte da receita virá de consumidores que vivem em áreas sem internet tradicional, somando US$ 4,1 bilhões. O número representa uma alta de 36,4%.
Já as empresas que enfrentam o mesmo problema de conectividade devem gastar US$ 2,6 bilhões, avanço de 40%. A tecnologia também deve ganhar espaço na Internet das Coisas, com expectativa de gerar US$ 2,3 bilhões, aumento de 32% no comparativo anual.
O que são os satélites LEO?
Por trás dessa revolução estão os satélites LEO, sigla para Low Earth Orbit. Diferente dos geoestacionários, que ficam a 35 mil quilômetros da Terra, os LEO operam a altitudes entre 500 e 2 mil quilômetros. Por estarem mais próximos, conseguem enviar dados com menos atraso e exigem menos energia.
Isso significa que conseguem se conectar diretamente com celulares comuns, sem depender de torres ou receptores extras. A Gartner prevê que mais de 20 empresas estejam oferecendo serviços com essa tecnologia nos próximos anos, com mais de 40 mil satélites em operação.
Parcerias e testes pelo mundo
Grandes nomes do setor já começaram a apostar nesse formato. A Starlink, empresa de Elon Musk, lançou em julho seu serviço Direct-to-Cell nos Estados Unidos, em parceria com a operadora T-Mobile.
Outras operadoras também estão testando a novidade em países como Austrália, Canadá e Nova Zelândia. Além disso, empresas de mais cinco países já iniciaram colaborações com a Starlink.
No Brasil, a tecnologia ainda não está disponível comercialmente. Mas já passou por testes em março, no Maranhão, em uma ação da Claro com a americana Lynk. A Anatel acompanhou os testes, feitos dentro de um modelo de sandbox regulatório, que permite regras mais flexíveis durante experimentos.
O desempenho foi considerado positivo. As conexões de voz e dados funcionaram mesmo em áreas sem sinal terrestre.
Starlink ainda não chegou ao Brasil
Apesar da expectativa, não há previsão de lançamento comercial do serviço D2D no Brasil. Ainda assim, notícias falsas sobre internet via satélite gratuita circularam nas redes sociais nos últimos dias.
O boato surgiu após o anúncio do T-Satellite, serviço lançado nos Estados Unidos pela T-Mobile. Ele permite que celulares se conectem a satélites da Starlink. Porém, a novidade é exclusiva para clientes da operadora americana, ainda está em fase inicial e não é gratuita.
No Brasil, o que houve foi a autorização para a expansão de operações da Starlink e o início de discussões sobre uma possível mudança nas normas de satélites de baixa órbita.




