Em julho, o rover Curiosity, da Nasa, fez um achado curioso na cratera Gale, em Marte. Uma rocha com formato que lembra um coral recebeu o apelido de “Paposo”. A imagem foi feita a apenas cinco centímetros de distância, no 4.608º dia de trabalho do robô no planeta vermelho.
Apesar da semelhança, não há relação com vida marinha. O formato, no entanto, reforça evidências de que, há bilhões de anos, Marte teve rios e lagos que correram por longos períodos.
Formação moldada pela água e pelo tempo
O “Paposo” é resultado de processos geológicos semelhantes aos da Terra. Antigos cursos d’água dissolveram minerais que, ao preencherem fissuras na rocha, endureceram com o tempo. Ventos fortes e tempestades de areia desgastaram o material ao redor, deixando expostas estruturas resistentes e detalhadas.
Fenômenos parecidos já foram registrados em diferentes regiões terrestres. Em Marte, o Curiosity e outros rovers já fotografaram formações inusitadas, como uma rocha em forma de flor, os “mirtilos marcianos” do rover Opportunity e a “Baía de São Paulo”, encontrada pelo Perseverance.
Essas descobertas ajudam a montar o quebra-cabeça geológico do planeta. Para os cientistas, cada registro confirma que a cratera Gale foi, por muito tempo, um ambiente com água corrente — informação crucial para entender as mudanças no clima e na superfície marciana.




