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Surdez pode ter cura? Estudo mostra avanço inédito com terapia genética

Por Júlia Martins
13/07/2025
Em Variedades
Foto: Pixabay

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Pesquisadores deram um passo importante rumo ao tratamento da surdez congênita. Pela primeira vez, adolescentes e adultos com perda auditiva causada por mutações genéticas conseguiram recuperar parte da audição após uma única aplicação de terapia gênica.

O estudo, publicado na revista Nature Medicine, analisou o efeito da terapia em 10 pessoas com idades entre 1 e 24 anos. Todos tinham mutações no gene OTOF, responsável por transmitir os sinais sonoros do ouvido para o cérebro.

A pesquisa foi conduzida por cientistas do Instituto Karolinska, na Suécia, com aplicação da terapia em hospitais da China. Os pacientes receberam uma injeção diretamente na cóclea — uma parte interna do ouvido. O gene OTOF foi inserido no organismo por meio de um vírus geneticamente modificado.

Melhora foi registrada em todos os casos

Em apenas um mês, os pacientes começaram a recuperar parte da audição. Após seis meses, todos apresentavam melhora significativa. Os pesquisadores acreditam que essa é a prova mais concreta até agora de que o tratamento pode funcionar mesmo fora da infância.

Um dos autores do estudo, Maoli Duan, afirmou que o gene OTOF é só o começo. A equipe pretende acompanhar os pacientes por até 10 anos para entender a durabilidade dos efeitos.

Casos emocionantes surgem com o avanço

Em uma das experiências anteriores, uma menina de sete anos tratada com a mesma técnica recuperou quase toda a audição em um dos ouvidos. Pouco tempo depois, ela já mantinha conversas com a mãe e chegou a comentar que conseguia ouvir a chuva durante uma tempestade.

Esses resultados emocionantes reforçam o potencial da técnica, que já tinha mostrado eficácia em crianças pequenas. Agora, mostra-se promissora também para adolescentes e adultos.

Novos genes estão no radar dos cientistas

A equipe responsável pelo estudo pretende ampliar as pesquisas para outros tipos de surdez genética. Entre os próximos alvos estão os genes GJB2 e TMC1, mais comuns entre pessoas com perda auditiva.

Embora sejam mais difíceis de tratar, os cientistas estão confiantes de que pacientes com outros tipos de mutações também poderão ser beneficiados no futuro.

Júlia Martins

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