A TV Gazeta, emissora alagoana ligada à família do ex-presidente Fernando Collor, está no centro de uma batalha judicial contra a Rede Globo. O motivo: a emissora tenta se manter como retransmissora da programação da Globo em Alagoas, mas enfrenta a possibilidade de rompimento do contrato.
A situação financeira da TV Gazeta é delicada. Segundo reportagem da revista Veja, a empresa estima que uma demissão em massa de funcionários, caso perca a parceria, pode gerar gastos de R$ 20 a R$ 40 milhões.
Além disso, afirma ter investido cerca de R$ 28 milhões em infraestrutura para manter o contrato com a Globo. Em recuperação judicial desde 2019, a emissora ainda prevê o pagamento de R$ 27 milhões a credores até 2033 e mais R$ 77 milhões em dívidas previdenciárias e com a Procuradoria da Fazenda Nacional.
Esses argumentos convenceram a Justiça a renovar, de forma compulsória, o contrato entre as emissoras até 2028. Mas essa decisão está agora sob risco.
Globo quer encerrar vínculo e vai recorrer
O Superior Tribunal de Justiça autorizou que a Globo recorra da decisão em instâncias superiores. O ministro Ricardo Villas Bôas Cueva entendeu que há indícios de que a jurisprudência do próprio STJ foi desconsiderada nos julgamentos anteriores favoráveis à TV Gazeta.
A Globo sustenta que não pretende mais manter a parceria e que isso foi comunicado com antecedência. Para a emissora carioca, o contrato era válido até dezembro de 2023 e já previa o encerramento, sem obrigação de renovação.
Segundo a defesa da Globo, a crise da Gazeta não é nova — e manter a retransmissão não impede os prejuízos financeiros enfrentados pela empresa. Além disso, afirma que os investimentos feitos pela afiliada foram inferiores ao faturamento obtido em um único ano.
Reputação em jogo e acusação de corrupção
A disputa vai além dos argumentos comerciais e contratuais. A Globo alegou que a manutenção da parceria afeta sua imagem, citando inclusive a condenação de Fernando Collor pelo Supremo Tribunal Federal.
Segundo o processo, o ex-presidente foi acusado de receber R$ 20 milhões para favorecer uma empreiteira em contratos da antiga BR Distribuidora. Parte desses valores, de acordo com o Ministério Público, teriam sido canalizados para contas da TV Gazeta e usados para comprar itens de luxo, como carros e uma lancha.
Com a disputa ainda em andamento, o futuro da TV Gazeta segue indefinido. Se perder o contrato com a Globo, a emissora pode buscar nova afiliação ou operar de forma independente — cenário que traria desafios financeiros ainda maiores. Enquanto isso, o processo segue na Justiça, com os próximos capítulos sendo aguardados por todo o setor de comunicação.




