A violência doméstica volta ao centro do debate com a proximidade de feriados prolongados, período em que os casos tendem a aumentar. Dados da Secretaria Estadual da Mulher indicam crescimento das agressões nesses intervalos, o que acende um alerta para famílias, vizinhos e comunidades inteiras. O tema ultrapassa o âmbito individual e exige atenção coletiva, já que muitas ocorrências seguem escondidas dentro de casa e longe dos registros oficiais.

Em entrevista à Rádio Acústica FM, a presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, Yasmin Devorgeski, destacou resultados preliminares de uma pesquisa conduzida pela Secretaria da Mulher. O estudo, que inclui entrevistas com agressores presos ou condenados, revela um dado preocupante: muitos não se reconhecem como responsáveis pelos crimes. Segundo Yasmin, há casos em que o agressor atribui a culpa à vítima, mesmo quando descumpre medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha.
Alerta foi reforçado com número de mulheres com medidas protetivas no município
O cenário local também preocupa. Atualmente, 132 mulheres em Camaquã estão sob medidas protetivas, acompanhadas pela Patrulha Maria da Penha do 30º Batalhão da Brigada Militar. O número, porém, não reflete a totalidade dos casos. A subnotificação é elevada e, conforme dados estaduais, grande parte das vítimas de feminicídio nunca havia registrado ocorrência policial antes do crime.
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Os números reforçam a gravidade do problema no Rio Grande do Sul. Apenas nos nove primeiros meses de 2025, foram registrados cerca de 13 mil casos de lesão corporal contra mulheres e 57 feminicídios até setembro. Feminicídio é o crime cometido contra a mulher em razão do gênero, geralmente associado a relações íntimas, familiares ou afetivas, e difere do homicídio comum justamente por essa motivação.
Yasmin reforça que o silêncio contribui para a perpetuação da violência. O alerta busca romper com a ideia de que conflitos domésticos não devem ser denunciados. Vizinhos e familiares podem e devem acionar as autoridades, inclusive de forma anônima, sem se expor a riscos. A denúncia, segundo ela, funciona como um freio ao agressor ao mostrar que a violência não passa despercebida.
Em Camaquã, os principais canais de denúncia são o telefone 190, da Brigada Militar, ou pelo WhatsApp 51 3671-7550 e os serviços da rede de proteção. Mulheres em situação de violência podem procurar o Creas, por meio da Rede de Atenção à Mulher (RAM), ou utilizar os contatos do 30º BPM. A recomendação é priorizar o 190, especialmente em situações de emergência.
A campanha “Não maquie, denuncie” busca alertar e conscientizar sobre a importância de expor a violência e não escondê-la. A mensagem é clara: agressões não são questões privadas e precisam ser enfrentadas com informação, denúncia e apoio institucional, especialmente em períodos críticos como os feriados prolongados.
Acompanhe a entrevista na integra:




