Importunação sexual

Vítima rompe silêncio e coloca “tarado da prainha” na cadeia

Ela fez o que nenhuma outra vítima havia feito: registrou ocorrência junto as autoridades

A Justiça determinou a conversão da prisão em flagrante em preventiva para o homem, conhecido na comunidade como “tarado da prainha”, que está sendo acusado de importunar sexualmente uma mulher na tarde da última quarta-feira (11), em Camaquã. O caso ocorreu na área da Prainha, complexo de lazer do município, enquanto a vítima praticava exercícios físicos. Com a decisão judicial, o suspeito permanecerá detido por, pelo menos, 90 dias, período em que aguardará o desenrolar do processo.

Vítima rompe silêncio e coloca tarado da Prainha na cadeia
Foto: Valério Weege/Rádio Acústica FM

Vítima do “tarado da prainha”, concedeu entrevista detalhando o caso

A vítima do “tarado da prainha”, Marcele Casagrande, relatou o episódio em entrevista à Rádio Acústica FM nesta quinta-feira. Segundo ela, o indivíduo a abordou de maneira agressiva durante a caminhada. Marcele, que estava acompanhada da Brigada Militar no momento da identificação do agressor, decidiu levar o caso adiante para evitar que outras mulheres passem pela mesma situação no local. O acusado já possui histórico de comportamento semelhante na região, mas não havia registros oficiais anteriores de importunação sexual contra ele.

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O crime de importunação sexual, estabelecido pela Lei 13.718/2018, caracteriza-se pela prática de ato libidinoso contra alguém sem a sua anuência, com o objetivo de satisfazer o próprio desejo ou o de terceiros. Diferente do assédio sexual, que exige uma relação de hierarquia ou subordinação, a importunação pode ocorrer em espaços públicos e não exige necessariamente o contato físico, abrangendo gestos ou falas de cunho sexual que invadam a liberdade da vítima.

Durante o relato, Marcele destacou a sensação de insegurança mesmo em horários de grande claridade. Ela afirmou que utilizava roupas discretas justamente por medo de abordagens, reforçando que a responsabilidade pelo crime recai exclusivamente sobre o autor. A vítima também cobrou melhorias na infraestrutura da Prainha, como a instalação de câmeras de monitoramento e reforço na iluminação e patrulhamento, especialmente nas áreas mais isoladas do parque.

A reportagem da emissora, descobriu que, embora houvesse um grande número de relatos nas redes sociais, de que o homem já vinha cometendo este tipo de crime há bastante tempo, as vítimas não registraram ocorrências contra ele. Mesmo com tantas denúncias nas redes sociais, ele não possuía em seu histórico criminal, este tipo de delito. Nos outros episódios em que foi preso pela Brigada Militar, acabava liberado pelo Poder Judiciário, por falta de registro policial das vítimas.

A decisão da Justiça de manter a prisão preventiva do “tarado da prainha”, baseia-se na garantia da ordem pública, considerando o risco de reiteração criminosa. Relatos de outras frequentadoras do parque indicam que o homem era conhecido por intimidar mulheres e adolescentes na localidade. A Polícia Civil agora conclui o inquérito para remeter ao Ministério Público, que poderá oferecer a denúncia formal contra o investigado nos próximos dias.

Tags: Camaquã, crime sexual, denúncia assédio, importunação sexual, Prainha Camaquã, Prisão Preventiva, segurança da mulher, Tarado da prainha, violência doméstica