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Viúva presta novos depoimentos em investigação sobre ação policial que matou agricultor em Pelotas

Relatos foram colhidos em dois dias consecutivos pela Polícia Civil e pela Corregedoria da Brigada Militar

A Corregedoria-Geral da Brigada Militar ouviu, nesta semana, a viúva do agricultor Marcos Nörnberg, morto durante uma ação policial na zona rural de Pelotas. Raquel Nörnberg prestou depoimento nesta quarta-feira (21) no Ministério Público, um dia após ter sido ouvida pela Delegacia de Homicídios da Polícia Civil, como parte da nova fase das investigações sobre a conduta dos policiais envolvidos.

Viúva presta novos depoimentos em investigação sobre ação policial que matou agricultor em Pelotas. Foto: Divulgação/Google Street.
Viúva presta novos depoimentos em investigação sobre ação policial que matou agricultor em Pelotas. Foto: Divulgação/Google Street.

A oitiva marca a ampliação do inquérito policial militar (IPM) instaurado pela Corregedoria da Brigada Militar. Além dos agentes afastados, o órgão passou a colher relatos de familiares e testemunhas que estavam no local da abordagem que resultou na morte do produtor rural.

Segundo a Brigada Militar, 18 policiais foram afastados temporariamente. Eles integram o 4º Batalhão de Polícia Militar e o 5º Batalhão de Choque.

Depoimentos ocorreram em dias consecutivos

Raquel Nörnberg relatou que estava mais nervosa do que no dia anterior, quando prestou depoimento à Polícia Civil. Em entrevista à GZH, afirmou confiar na imparcialidade das investigações e disse que reviver os fatos tem sido difícil, mas necessário para o esclarecimento do caso.

O depoimento à Polícia Civil durou mais de duas horas. De acordo com o advogado da família, não houve mudanças relevantes em relação à versão inicial, mas a viúva acrescentou detalhes considerados importantes para o andamento do inquérito.

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Polícia Civil ainda não ouviu os policiais envolvidos

Conforme a Polícia Civil, os policiais militares envolvidos na ação só serão chamados para depor após a conclusão das oitivas com todos os familiares da vítima. O inquérito é conduzido pela delegacia responsável pelo caso, em paralelo à apuração interna da Brigada Militar.

O advogado Rafael Romeu, que representa os policiais afastados, afirmou que a defesa ainda está tomando conhecimento do conteúdo dos inquéritos. Segundo ele, uma manifestação oficial só ocorrerá após a análise completa dos autos.

Relato aponta confusão durante a abordagem

Em seu depoimento, Raquel afirmou que ela e o marido acreditaram estar sendo vítimas de um assalto no momento da chegada das viaturas. Segundo a viúva, as sirenes não estariam acionadas durante a abordagem policial.

As câmeras de segurança da propriedade rural já foram recolhidas e estão sob análise da Polícia Civil. As imagens podem ajudar a esclarecer a dinâmica da operação realizada na madrugada de 15 de janeiro, desencadeada a partir de uma informação falsa repassada por criminosos presos no Paraná.

Caso segue sem prazo para conclusão

Marcos Nörnberg tinha 48 anos e morreu durante a ação policial na zona rural de Pelotas. O caso segue sob investigação da Polícia Civil e da Brigada Militar, sem prazo definido para conclusão.

O laudo do Instituto-Geral de Perícias (IGP) já foi entregue à Polícia Civil, mas os detalhes técnicos não foram divulgados até o momento.