A produção de melancia na Zona Sul do Rio Grande do Sul cresceu cerca de 50% nesta safra, impulsionada pela ampliação da área plantada e por investimentos feitos por produtores rurais para atender à demanda do mercado. O avanço é registrado principalmente no município de Rio Grande, onde a cultura ganhou espaço em relação ao ciclo anterior.

Dados da Emater/RS-Ascar indicam que a área cultivada com melancia em Rio Grande passou de aproximadamente 210 hectares na safra passada para 310 hectares neste ano. A expansão já é visível nas lavouras e reflete uma estratégia de produtores que apostaram no aumento da oferta durante o verão, período de maior consumo da fruta.
Expansão da área
Entre os produtores que ampliaram a plantação está Lionardo Mendes das Neves, que cultiva mais de 55 mil pés de melancia na propriedade. Ele relata à GZH que a cultura exige acompanhamento diário e planejamento constante. “Não é uma lavoura que se visita uma vez por semana, é um trabalho de todos os dias”, afirma.
Segundo o produtor, a decisão de aumentar a área teve como foco garantir presença no mercado consumidor. “Nós queríamos estar no mercado, por isso aumentamos a plantação, e, graças a Deus, está correndo tudo bem”, diz.
Manejo, clima e qualidade da fruta
A qualidade da melancia, conforme os produtores, começa na escolha da semente e depende diretamente do manejo e das condições climáticas. Para Ildomar Coelho Rauback, fatores como sol, calor e disponibilidade de água são decisivos para o bom desenvolvimento da cultura.
Apesar do crescimento da produção, o início da safra foi marcado por dificuldades climáticas. De acordo com a Emater, o frio prolongado na primavera e as temperaturas baixas durante a noite retardaram o desenvolvimento das plantas e alteraram o calendário de colheita.
O extensionista rural Matias Mauri Streck explica que o clima não favoreceu a cultura no começo do ciclo, já que a melancia é típica de períodos mais quentes, o que impactou o ritmo da produção e a entrada da fruta no mercado.
Retorno rápido e expectativa positiva
Mesmo com os desafios, a melancia segue como uma alternativa atrativa para os agricultores da região. O engenheiro agrônomo da Emater Rogério Soares da Silveira destaca que o ciclo curto da cultura, que varia entre 60 e 110 dias, permite retorno financeiro em prazo reduzido e contribui para o planejamento das propriedades.
A Emater estima produtividade média entre 20 e 45 toneladas por hectare. No Rio Grande do Sul, a expectativa é de que a safra atual ultrapasse 340 mil toneladas, reforçando a importância da cultura para a economia agrícola do Estado.




