Canguçu, na Zona Sul do Rio Grande do Sul, foi o município brasileiro que mais produziu tabaco na safra 2024/2025, com mais de 24 mil toneladas. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (22) pela Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), que confirmou a posição do município como destaque na fumicultura nacional. Conhecida como Capital Nacional do Minifúndio, o município concentra 5 mil pequenas propriedades dedicadas à atividade.

A safra 2024/2025 do Sul do país alcançou 719.891 toneladas, crescimento de 41,7% em relação ao ciclo anterior. O volume superou a estimativa inicial divulgada em novembro de 2024, que projetava 696.435 toneladas. O resultado final representou um acréscimo de 3,4% em relação à previsão.
Do total, 648.189 toneladas foram da variedade Virgínia, 59.629 de Burley e 12.073 de Comum.
O Rio Grande do Sul respondeu por 42,2% da produção, seguido de Santa Catarina, com 31,4%, e Paraná, com 26,4%.
Fatores que impulsionaram a safra
Segundo o presidente da Afubra, Marcilio Drescher, três fatores explicam o aumento expressivo:
- A quebra de produtividade em 2023/2024 elevou os preços pagos ao produtor;
- A queda no valor de grãos incentivou agricultores a ampliar a área destinada ao tabaco;
- O desempenho produtivo voltou a níveis considerados normais, sem perdas generalizadas.
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“Esses fatores explicam o aumento significativo no volume total da produção, considerando ainda que vem ocorrendo aumento na área plantada nas últimas três safras. E, nesta safra que finda, com a volta da produtividade normal, o volume de produção se evidencia com mais força, pois combina área ampliada com produtividade normalizada”, afirmou Drescher.
Desempenho por estado
- Rio Grande do Sul: 303.393 toneladas (+37,9%), produzidas em 131.789 hectares por 69.238 famílias.
- Santa Catarina: 226.233 toneladas (+50,5%), com 41.720 famílias cultivando 94.212 hectares.
- Paraná: 190.264 toneladas (+38,1%), em 83.981 hectares, com 27.062 famílias envolvidas.
A produtividade média por hectare variou entre 2.242 e 2.434 quilos, dependendo da variedade. Apesar do aumento de volume, o preço pago por quilo caiu em todos os estados, com queda média de 10% a 14%.
Receita do setor
Apesar do aumento de produtividade, os preços pagos ao produtor caíram. No Rio Grande do Sul, o quilo do Virgínia foi comercializado a R$ 20,78 (-14,5%), o do Burley a R$ 17,90 (-12,4%) e o do Comum a R$ 17,02 (-12,8%). Situação semelhante ocorreu em Santa Catarina e no Paraná, com reduções médias entre 10% e 13%.
Mesmo com a desvalorização, a receita bruta da safra 2024/2025 foi de R$ 14,57 bilhões, crescimento de 23,7% em comparação ao ciclo anterior. O Rio Grande do Sul respondeu por R$ 6,2 bilhões, Santa Catarina por R$ 4,59 bilhões e o Paraná por R$ 3,77 bilhões.

Produção nos municípios da região de Camaquã
Cinco municípios da região, incluindo Camaquã, aparecem no ranking dos 30 maiores produtores de tabaco no Rio Grande do Sul. Em São Lourenço do Sul 3.807 famílias produziram 18.307 toneladas, em Camaquã 2.262 famílias produziram 11.157 toneladas, em Dom Feliciano 2.062 famílias produziram 9.321 toneladas, em Chuvisca 1.123 famílias produziram 4.923 toneladas, em Amaral Ferrador 886 famílias produziram 4.636 toneladas.
Perspectivas para 2025/2026
A estimativa inicial da próxima safra será divulgada em novembro. Drescher alertou para o aumento da área plantada, o que pode gerar desequilíbrio entre oferta e demanda. Ele também destacou os impactos do “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos sobre o tabaco brasileiro, fator que deve influenciar a rentabilidade do setor nos próximos ciclos: “Já temos indícios de aumento de área plantada, o que nos causa preocupação. Além da importância de conseguirmos um equilíbrio entre oferta e demanda nos próximos ciclos para garantir uma rentabilidade justa ao produtor, a este fator soma-se os impactos que podemos sofrer com a continuidade do ‘tarifaço’ ao que o Brasil vem sendo submetido pelos Estados Unidos”.






