Nesta sexta-feira (5), o médico pneumologista de Camaquã Dr. Marcelo Mallmann falou em entrevista sobre a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), suas principais síndromes e opções de tratamento. Ele explicou que a DPOC inclui bronquite crônica, caracterizada pela produção excessiva de muco, e enfisema, marcado pela perda de elasticidade pulmonar. O especialista afirmou que, embora o diagnóstico seja o mesmo, cada paciente pode apresentar sintomas e necessidades terapêuticas diferentes. Segundo ele, a personalização da terapia busca reduzir sintomas, prevenir crises e melhorar a qualidade de vida. O médico ressaltou que o histórico de internações e a frequência de exacerbações também influenciam a escolha do tratamento.

Marcelo Mallmann destacou a importância dos perfis clínicos dos pacientes
Marcelo Mallmann descreveu quatro perfis clínicos de pacientes com DPOC, baseados em sintomas e espirometria. No primeiro, o paciente com bronquite crônica apresenta tosse intensa e produção de muco, mas dispneia moderada, e costuma responder bem a um único broncodilatador inalatório. No segundo, a falta de ar e a redução moderada da função pulmonar justificam a associação de duas classes de broncodilatadores. Pacientes do terceiro perfil sofrem exacerbações frequentes, com necessidade eventual de atendimento de urgência, e podem requerer a adição de corticoide inalatório. Já o quarto perfil agrupa casos de maior gravidade, em que é preciso acrescentar anti-inflamatório esteroide ou outras terapias de manutenção.
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O especialista alertou para a discrepância entre as diretrizes internacionais e a prática clínica no Brasil. Pesquisa da indústria farmacêutica aponta que até 80% dos pacientes com DPOC recebem uma combinação de broncodilatador de ação média e corticoide inalatório, apesar de essa associação não ser recomendada nos principais guias. Para Mallmann, esse padrão eleva o risco de tratamento subótimo, mantendo sintomas e levando a novas idas à emergência. Ele defendeu a atualização dos protocolos de prescrição e a adaptação das recomendações internacionais à realidade local. Segundo o médico, a revisão crítica das orientações é essencial para oferecer cuidado de qualidade.
Dr. Marcelo Mallmann destacou também a importância de orientar o paciente sobre cada medicamento e dispositivo. Ele observou que muitos consideram “toda bombinha igual” e não distinguem princípios ativos, doses e mecanismos de ação. Essa visão, afirmou, pode comprometer o uso correto do inalador e o controle da doença. O pneumologista recomendou que o médico explique nome, função e modo de aplicação de cada dispositivo, sempre levando em conta as habilidades motoras do paciente. Para ele, o diálogo claro entre profissional e paciente é fundamental para garantir adesão e eficácia do tratamento.
O pneumologista relacionou a DPOC a outras doenças crônicas não curáveis, como asma, hipertensão e diabetes, e reforçou que esses quadros só se mantêm controlados com uso contínuo de medicação. Ele lembrou casos de asmáticos que interrompem o tratamento frente à melhora inicial e acabam hospitalizados, situação semelhante à de hipertensos que suspendem remédios e voltam a ter a pressão elevada. Mallmann recomendou não suspender nunca o medicamento sem orientação médica, pois a continuidade terapêutica é a chave para evitar exacerbações e internações. Segundo ele, a adesão prolongada garante melhores resultados e diminui custos ao sistema de saúde.
O especialista comentou ainda o surto recente de Covid-19 no Hospital Conceição, em Porto Alegre, que resultou em dois óbitos entre idosos com vacinação incompleta. Ele ressaltou que, embora os casos tenham sido isolados, coronavírus e influenza seguem circulando na comunidade. Para Mallmann, a vacinação anual contra ambas as doenças é a medida mais eficaz para reduzir internações e mortes. Marcelo Mallmann alertou que a queda na cobertura vacinal pode elevar o número de casos graves em ciclos futuros. Ele conclamou a população a manter em dia as doses recomendadas pelo Programa Nacional de Imunizações e ressaltou que a prevenção é tão importante quanto o tratamento contínuo das doenças crônicas.
Acompanhe abaixo, a entrevista na íntegra:



