Em entrevista, ao programa Primeira Hora desta segunda-feira (08), o urologista Renan Lemos falou sobre a prevalência, os sintomas e as opções de tratamento para os cálculos renais, popularmente conhecidos como “pedras nos rins”. Segundo o médico, cerca de 20% da população já convive com essa condição, embora na maioria dos casos o problema se apresente de maneira silenciosa, sendo descoberto acidentalmente em exames de rotina.

Receba todas as notícias da Acústica no seu WhatsApp tocando aqui!
“Grande parte dos cálculos são assintomáticos, permanecendo no rim sem causar dor até migrarem para o ureter, onde a obstrução gera a temida cólica renal”, explica o especialista.
Causas, sintomas e fatores de risco
O urologista detalhou que os cálculos renais podem surgir por diversos fatores, sendo o componente genético o principal. Também ressaltou que esteja ligado ao estilo de vida: a obesidade, a alimentação inadequada e a baixa ingestão de líquidos – recomenda-se, em média, cerca de 2 litros diários – podem aumentar o risco.
“A pedra, enquanto flutua no interior dos rins, geralmente não causa dor. O problema surge quando ela chega aos ureteres e obstrui o fluxo de urina, desencadeando uma dor excruciante”, afirma.
Lemos ressaltou que a cólica renal é frequentemente acompanhada de sintomas como náusea e vômito, características que ajudam a diferenciar dos quadros de dores na coluna, as quais costumam ser progressivas e facilmente aliviadas com mudanças de posição.
Tratamento e intervenção cirúrgica
Para cálculos que ultrapassam 1,5 cm, mesmo em ausência de sintomas, a cirurgia é indicada preventivamente para evitar danos mais graves ao rim. Em outros casos, como em pacientes assintomáticos que apresentam infecções recorrentes – devido à formação de biofilme na pedra – a intervenção também se mostra necessária para interromper um ciclo nocivo.
Existem diversas técnicas de tratamento atualmente, que vão desde procedimentos menos invasivos, como o laser e a litotripsia extracorpórea, até intervenções mais complexas, como a nefrolitotripsia percutânea para cálculos de maior dimensão. “Cada caso é único, e a escolha do procedimento depende do tamanho, da localização e das características da pedra, além do estado clínico do paciente”, pontua o especialista.
O risco da obstrução e a importância do diagnóstico precoce
Outro tema abordado foi a obstrução urinária global, que pode ocorrer com o bloqueio dos dois rins. No entanto, o Dr. Renan esclareceu que, em situações onde apenas um rim está comprometido, o outro pode manter a função urinária, o que muitas vezes atrasa o reconhecimento da gravidade do quadro.
“É importante que o paciente não ignore os sinais, pois a permanência do cálculo pode levar a infecções graves, com risco de se desenvolver um coma urêmico ou até mesmo a necessidade de diálise”, alerta.
Ainda na entrevista, o especialista enfatizou a vantagem do acompanhamento contínuo e o papel dos exames de imagem na correta avaliação do problema, que ajudam a diferenciar a cólica renal da dor de origem musculoesquelética ou de outros órgãos, como a vesícula biliar.
Conclusão do urologista Renan Lemos
Dr. Renan Lemos finalizou enfatizando que o cuidado preventivo é a melhor estratégia para evitar complicações graves. “Para aqueles que já possuem histórico de cálculos renais, a prevenção através da hidratação adequada, mudanças na alimentação e monitoramento médico regular pode ser decisiva para prevenir crises severas e a necessidade de intervenções cirúrgicas de emergência”, concluiu.



