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Com acesso negado na COP do Tabaco, parlamentares buscam apoio do embaixador brasileiro em Genebra

Reuniões conduzidas por Tovar Nunes se tornam eixo central da atuação da comitiva após veto de entrada na conferência

Impedida de entrar na 11ª Conferência das Partes (COP 11) da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco, a delegação brasileira voltou suas atividades para reuniões com o embaixador brasileiro em Genebra, Tovar Nunes. Dois encontros foram realizados na terça e nesta quarta-feira (19), e uma nova audiência está marcada para quinta-feira (20), às 8h30, na sede da Comissão Permanente do Brasil na ONU.

Com acesso negado na COP do Tabaco, parlamentares buscam apoio do embaixador brasileiro em Genebra. Foto: Divulgação.
Com acesso negado na COP do Tabaco, parlamentares buscam apoio do embaixador brasileiro em Genebra. Foto: Divulgação.

As reuniões passaram a ser o principal espaço de diálogo da comitiva, que reúne parlamentares, prefeitos, entidades do setor produtivo do tabaco, autoridades estaduais e imprensa. O grupo busca informações oficiais sobre as posições defendidas pelo Brasil e explicações sobre a negativa de acesso às plenárias da conferência.

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O que disse o embaixador

Durante o encontro desta quarta-feira, Nunes afirmou que o Brasil apresentou como propostas o controle de novos produtos de nicotina e o incentivo a alternativas econômicas para produtores. Ele destacou que as decisões da COP têm caráter recomendatório. São opções, não determinações. “Países como o Brasil, produtores de tabaco, não vão aceitar práticas que não correspondam à sua realidade”, disse.

O embaixador também comentou o impedimento de entrada dos parlamentares e da imprensa. Segundo ele, o processo de participação de observadores está em revisão, mas a solução deve partir de Brasília. “É uma situação sensível”, afirmou, antes de se ausentar para cumprir outra agenda.

Veto de acesso à COP 11

O grupo brasileiro foi barrado pelo Secretariado da Convenção logo no início do evento. O veto, aplicado com base no artigo 5.3 da CQCT, restringe a participação de pessoas e instituições relacionadas à cadeia produtiva do tabaco. A medida afetou não apenas representantes do setor, mas parlamentares e veículos de comunicação que acompanharam a viagem.

Os integrantes da comitiva divulgaram notas de repúdio, especialmente no Sul do país, e criticaram a falta de transparência do processo. Eles afirmam que a restrição viola princípios do Acordo de San José da Costa Rica, tratado internacional que garante acesso à informação e participação pública em decisões de interesse coletivo.

Posição técnica do Itamaraty

Após a saída do embaixador, o diplomata Igor Barbosa, chefe da divisão de saúde global do Ministério das Relações Exteriores, continuou a reunião. Ele explicou que o secretariado da COP avalia dossiês dos participantes e define quem pode ingressar como observador. “É possível estudar a inclusão de parlamentares, mas para esta edição o prazo já passou”, afirmou.

Barbosa disse ainda que não há política de reconversão agrícola em debate, mas sim diretrizes voltadas a alternativas econômicas ao produtor, sempre adaptadas às condições nacionais. Sobre a transparência, lembrou que documentos produzidos pela Conicq são públicos e podem ser solicitados pela Lei de Acesso à Informação.

Comitiva permanece em Genebra

Mesmo sem acesso às plenárias, a delegação continua acompanhando os desdobramentos da COP 11. Os representantes defendem que o Brasil cumpra a declaração interpretativa assinada em 2005, que determina que políticas de controle do tabaco não prejudiquem a produção legal.

Para Valmor Thesing, presidente do SindiTabaco, o diálogo aberto pela missão brasileira é um sinal positivo. “Levando em consideração que chegamos aqui e fomos, mais uma vez, impedidos de participar, a abertura da embaixada brasileira é positiva. Inicia-se um processo de diálogo com quem não teve acesso, bem como com a comitiva representada pela CONICQ. Entendemos que diálogo e transparência são essenciais quando tratamos de um tema que impacta milhares de famílias brasileiras”, afirmou.

A cobertura da Rádio Acústica FM na COP 11 conta com apoio de Osirnet, Afubra e Sicoob.

Jornalistas denunciam cerceamento de liberdade de imprensa na COP do Tabaco

Jornalistas brasileiros denunciaram, em Genebra, na Suíça, o impedimento ao credenciamento de cinco veículos de comunicação durante a 11ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (COP 11). O grupo afirma que o processo ocorreu sem justificativa e violou princípios de transparência, igualdade de tratamento e liberdade de imprensa.

Os profissionais afirmam que enviaram toda a documentação solicitada dentro do prazo e seguiram os protocolos oficiais da conferência. Apesar disso, cinco veículos não tiveram o credenciamento aprovado, enquanto outros representantes foram liberados.

Jornalistas pedem intervenção de órgãos reguladores

Na nota oficial, os profissionais solicitam que instituições brasileiras:

  1. Intercedam junto aos organizadores da COP 11 para restabelecer o acesso dos veículos barrados;
  2. Acompanhem formalmente o caso para verificar violações às normas internacionais de liberdade de imprensa;
  3. Adotem ações para evitar que situações semelhantes se repitam em eventos multilaterais.

A gerência brasileira no evento é articulada pela Comissão Nacional para Implementação da Convenção-Quadro sobre Controle do Uso do Tabaco (Conicq), ligada ao Ministério da Saúde.

Em nota, a Associação Gaúcha de Emissoras de Rádio e Televisão demonstrou preocupação com o episódio.

Leia a nota da AGERT:

A Associação Gaúcha de Emissoras de Rádio e Televisão (Agert) manifesta preocupação diante do episódio ocorrido durante o processo de credenciamento para a cobertura da COP11, em Genebra, onde profissionais de imprensa brasileiros tiveram sua atuação impedida sem justificativa clara.

Restringir o acesso de veículos regularmente credenciados fere princípios fundamentais da liberdade de imprensa, da transparência e do direito da sociedade à informação, pilares essenciais da democracia.

A AGERT reforça seu apoio aos profissionais e veículos atingidos e solicita que as autoridades competentes acompanhem o caso e atuem para garantir que situações como esta não se repitam. A informação livre e plural é um direito, não uma concessão.

Associação Gaúcha de Emissoras de Rádio e Televisão – AGERT

Tabaco no Brasil: dados da safra 2024/25

O Brasil é o segundo maior produtor de tabaco do mundo, atrás da China. A Região Sul é o principal polo da atividade no país.

Indicadores atualizados

  • 525 municípios produtores
  • 138 mil produtores rurais
  • 44 mil empregos diretos na indústria
  • 533 mil pessoas envolvidas no meio rural
  • 310 mil hectares plantados
  • 720 mil toneladas produzidas
  • R$ 14,6 bilhões em receita para os produtores
  • 447 mil toneladas exportadas em 2024
  • R$ 18,8 bilhões em impostos arrecadados (2024)
  • US$ 2,89 bilhões em divisas com exportações (2024)

A cobertura da Rádio Acústica FM na COP 11 conta com apoio de Osirnet, Afubra e Sicoob.