Os novos tratamentos para o câncer de bexiga, a infertilidade masculina e o crescimento da próstata foram discutidos ontem no Congresso Brasileiro de Urologia, em Florianópolis. Os temas foram apresentados por especialistas que acompanham pesquisas recentes e relataram como essas descobertas podem chegar aos pacientes nos próximos anos.

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O urologista Rafael Fraga explicou que o câncer de bexiga costuma ser identificado após episódios de sangramento na urina ou alterações para urinar, como ardência e aumento da frequência. O diagnóstico é feito por endoscopia e o procedimento padrão continua sendo a retirada do tumor por raspagem interna.
Segundo o médico, a doença recidiva com frequência, o que obriga a aplicações de medicamentos diretamente na bexiga. Entre eles está a BCG, vacina usada para reduzir o risco de retorno da lesão. A novidade discutida no congresso é o Enfortumab Vedotin, imunoterapia aplicada por via intravenosa que, segundo estudos recentes, pode evitar a retirada completa da bexiga em casos de recidiva.
Outro foco do encontro foi a infertilidade masculina. O médico citou pesquisa conduzida por cientista de Utah, nos Estados Unidos, sobre homens que não produzem espermatozoides, condição chamada de azoospermia. O pesquisador conseguiu estimular células iniciais do testículo a produzirem espermátides, recriando etapas da espermatogênese em laboratório. A técnica pode abrir alternativa para casais que hoje dependem de doadores.
O congresso também abordou o crescimento da próstata, comum com o envelhecimento. Não há método capaz de impedir totalmente o aumento do órgão, mas estudos indicam que o controle da síndrome metabólica — que reúne alterações como colesterol alto, glicemia elevada, triglicerídeos altos e excesso de peso — reduz o ritmo do crescimento. Dormir bem, manter alimentação rica em tomate, brócolis e peixes, além de praticar ao menos 30 minutos diários de caminhada, também mostrou efeito protetor.
Durante o evento, especialistas acompanharam sessões simultâneas distribuídas em diferentes salas, com apresentações renovadas a cada 15 minutos e foco nos temas mais relevantes da prática clínica.



