gestão da água

Brasil desperdiça 6 mil piscinas olímpicas de água por dia

Levantamento do Instituto Trata Brasil aponta 5,8 bilhões de m³ desperdiçados e revela impacto dos vazamentos

O Brasil perdeu, em 2023, cerca de 5,8 bilhões de metros cúbicos de água tratada, desperdício diário estimado em 6.346 piscinas olímpicas. A informação consta em levantamento divulgado nesta segunda-feira (24) pelo Instituto Trata Brasil, que analisou dados do setor de saneamento em todo o país. As perdas decorrem principalmente de vazamentos e falhas na distribuição.

Brasil desperdiça 6 mil piscinas olímpicas de água por dia. Foto: Ilustrativa/Canva.
Brasil desperdiça 6 mil piscinas olímpicas de água por dia. Foto: Ilustrativa/Canva.

Segundo o estudo, o volume desperdiçado equivale também ao conteúdo de 21.153.224 caixas d’água residenciais. Cada unidade seria capaz de suprir as necessidades diárias de uma família de cinco pessoas. Apenas as perdas causadas por vazamentos, superiores a 3 bilhões de metros cúbicos, abasteceriam aproximadamente 50 milhões de brasileiros ao longo de um ano.

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Regiões Norte e Nordeste lideram perdas na distribuição

O levantamento mostra que o Norte e o Nordeste apresentam os maiores índices de perdas na distribuição. As taxas chegam a 49,78% na região Norte e a 46,25% no Nordeste. A média nacional é de 40,31%.

A Portaria 490/2021, que estabelece metas para a eficiência do setor, prevê a redução desse índice para 25%. Caso a meta seja atingida, o país economizaria 1,9 bilhão de metros cúbicos de água — volume suficiente para atender mais de 30 milhões de pessoas durante um ano.

Veja o ranking completo:

  • Norte (49,78%)
  • Nordeste (46,25%)
  • Sudeste (38,56)
  • Sul (36,49)
  • Centro-Oeste (34,12)

Alagoas, Roraima e Acre registram maiores índices estaduais

Entre os estados, Alagoas aparece com a maior taxa de perdas na distribuição, alcançando 69,86%. Em seguida estão Roraima, com 62,51%, e Acre, com 62,25%. Os números indicam dificuldades estruturais, especialmente nos sistemas de captação e na rede de abastecimento.

Veja a classificação completa:

  • Goiás (GO) – 25,68%
  • Tocantins (TO) – 30,96%
  • Distrito Federal (DF) – 31,46%
  • São Paulo (SP) – 32,60%
  • Paraná (PR) – 33,11%
  • Santa Catarina (SC) – 35,31%
  • Minas Gerais (MG) – 36,22%
  • Rondônia (RO) – 37,03%
  • Paraíba (PB) – 37,09%
  • Mato Grosso do Sul (MS) – 38,58%
  • Espírito Santo (ES) – 38,70%
  • Rio Grande do Sul (RS) – 40,14%
  • Brasil – 40,31%
  • Piauí (PI) – 40,57%
  • Amazonas (AM) – 40,68%
  • Pernambuco (PE) – 41,79%
  • Bahia (BA) – 42,08%
  • Ceará (CE) – 42,60%
  • Mato Grosso (MT) – 44,19%
  • Sergipe (SE) – 45,74%
  • Rio Grande do Norte (RN) – 47,19%
  • Rio de Janeiro (RJ) – 52,23%
  • Amapá (AP) – 53,71%
  • Maranhão (MA) – 55,95%
  • Pará (PA) – 58,71%
  • Acre (AC) – 62,25%
  • Roraima (RR) – 62,51%
  • Alagoas (AL) – 69,68%

Municípios que já cumprem as metas nacionais

O estudo também identificou 13 municípios entre os 100 mais populosos do país que atendem às metas recomendadas: até 25% de perdas na distribuição e até 216 litros perdidos por ligação/dia. Entre as cidades que atingiram o desempenho esperado estão Santos (SP), Duque de Caxias (RJ), Goiânia (GO), Maringá (PR) e Teresina (PI).