A revisão parcial das sobretaxas impostas pelos Estados Unidos às exportações brasileiras manteve setores industriais sob pressão e elevou a preocupação de empresas do Sul e do Sudeste. A isenção voltou para itens do agronegócio, mas produtos como aço, alumínio, móveis, calçados, têxteis e café solúvel seguem com tarifa extra de 40%. A avaliação foi feita pela tributarista Luciana Pereira da Costa, em entrevista à Rádio Acústica FM sobre os impactos do chamado tarifaço.

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Segundo a advogada, o recuo anunciado pelo governo norte-americano não reverteu o quadro para a indústria, que permanece onerada. Ela lembra que a decisão original, adotada ainda na gestão Donald Trump, teve cunho político e continua sujeita a mudanças. O novo cenário, afirma, exige cautela porque a tensão interna nos EUA e no Brasil interfere nas negociações comerciais.
Empresas móveis de Bento Gonçalves, fornecedoras de madeira da Serra Gaúcha e fabricantes de calçados do Rio Grande do Sul estão entre as mais afetadas. Esses setores dependem do mercado norte-americano e adaptaram linhas de produção para atender especificações daquele público. “A instabilidade coloca em risco contratos e planejamento”, afirma Luciana.
A especialista observa que o governo dos Estados Unidos enfrenta pressão inflacionária e pode flexibilizar tarifas por interesse interno, e não por alinhamento político. Ela considera que essa dinâmica reforça a necessidade de o Brasil operar com prudência e acompanhar mudanças de curto prazo.
Além das tarifas externas, a virada do ano traz novas regras da reforma tributária brasileira. Luciana relata que parte dos empresários já revisa atividades, fornecedores e códigos fiscais (CNAEs) para ajustar margens e evitar perdas. Outros preferem esperar o avanço das discussões. “Quem se prepara tende a enfrentar menos riscos”, diz.
Entre as alterações previstas para 2026 e 2027 estão o início da alíquota-teste do novo imposto sobre consumo e a implementação do split payment, mecanismo que direciona automaticamente ao governo a parcela tributária de cada transação. Para o setor de serviços, que tem poucos créditos para abater tributos, a mudança exigirá nova forma de precificação.
A advogada destaca que a tendência de pagamentos em dinheiro, observada em pequenos negócios, é reação ao aumento de custos com meios eletrônicos e ao rastreamento de movimentações. Segundo ela, práticas como preços diferentes para pagamentos em espécie e no cartão devem se ampliar caso a carga tributária encareça a operação comercial.
Luciana afirma que as empresas precisam rever contratos, negociar com fornecedores e antecipar ajustes no modelo de negócios. “O ambiente exige atenção e rapidez. A falta de preparo pode comprometer a competitividade”, afirma.




