CAMAQUÃ

Solução para alagamentos na Presidente Vargas pode exigir investimento milionário

Investimento seria para construção de bacias para receber parte do volume de água que hoje corre diretamente para a rede de drenagem e chega à Sanga do Passinho em poucos minutos

A Prefeitura de Camaquã estimou que as obras de macrodrenagem previstas para reduzir alagamentos na área urbana podem custar de R$ 5 milhões a R$ 10 milhões. O prefeito Abner Dillmann (PSDB) afirmou que o município não tem condições de financiar o projeto e tenta captar recursos federais para iniciar a execução.

Solução para alagamentos na Presidente Vargas pode exigir investimento milionário. Foto: Pablo Bierhals/Rádio Acústica FM.
Solução para alagamentos na Presidente Vargas pode exigir investimento milionário. Foto: Pablo Bierhals/Rádio Acústica FM.

O investimento seria para construção de cinco bacias de contenção já previstas no estudo hidrológico da cidade. Essas estruturas devem receber parte do volume que hoje corre diretamente para a rede de drenagem e chega à Sanga do Passinho em poucos minutos. Segundo o prefeito, cada bacia exige análise própria de capacidade e vazão, o que influencia o valor total.

Presidente Vargas e Júlio de Castilhos alagadas. Foto: Pablo Bierhals/Rádio Acústica FM.

O levantamento ganhou destaque após as chuvas de terça-feira (9), que provocaram enxurradas e deixaram ruas como Presidente Vargas, Júlio de Castilhos e Walter Kess com acúmulo rápido de água. No bairro Getúlio Vargas, a Sanga do Passinho transbordou e alagou diversas quadras, mobilizando equipes da prefeitura.

“Cidade Esponja” não soluciona, mas pode ajudar

Dillmann explicou que o município também desenvolve o projeto “Cidade Esponja”, previsto para começar em 2026, mas que ele não substitui as bacias de contenção. O programa será aplicado em até duas ruas ainda não definidas e serve para retardar a chegada da água à rede, prevendo a instalação de drenos laterais com pedra graduada, tubo perfurado e tampa com orifícios, que retêm parte da chuva antes de chegar ao bueiro.

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O projeto “Cidade Esponja” melhora o escoamento local, mas não resolve o problema estrutural da drenagem. As bacias continuam sendo a obra principal e mais cara do plano. Segundo Dillmann, o município já apresentou o estudo hidrológico em Brasília e aguarda definição sobre linhas de financiamento federal para iniciar a contratação dos projetos executivos.

Debate sobre responsabilidade do DNIT

A situação no bairro Getúlio Vargas reacendeu o debate sobre a duplicação da BR-116. Moradores e a prefeitura questionam se a nova estrutura da ponte construída pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) estaria afunilando o fluxo da sanga, reduzindo o escoamento e ampliando o risco de alagamentos.

Prefeitura cobra explicações do DNIT após alagamento no bairro Getúlio Vargas. Foto: Rádio Acústica FM.
Prefeitura cobra explicações do DNIT após alagamento no bairro Getúlio Vargas. Foto: Rádio Acústica FM.

O responsável do DNIT pela Zona Sul, Vladimir Casa, esteve no local e afirmou inicialmente não acreditar que a obra interfira no escoamento. Para esta quarta-feira (10), uma nova reunião com técnicos do órgão está marcada.

Durante a coletiva, Dillmann esteve acompanhado por um engenheiro da AUD, responsável pela gestão do Arroio Duro. A prefeitura cobra dados técnicos que comprovem que a obra na BR-116 não contribui para a retenção da água. Caso contrário, o município exige ajustes no projeto.

Camaquã prepara novo decreto de emergência após alagamentos

A administração municipal prepara novo decreto de emergência após as chuvas que atingiram principalmente áreas dos bairros Floresta, Bom Sucesso, Hípico, Centro, Olaria e Getúlio Vargas. Segundo a Defesa Civil estadual, choveu cerca de 223 milímetros em 24 horas.

As aulas da rede municipal foram canceladas nesta quarta-feira (10) e a Ação Social do município, que recebeu os 17 moradores desalojados, pede doação de travesseiros, toalhas, roupas de cama e cobertores. De acordo com o secretário Ilson Meireles, não faltam colchões nem roupas para os acolhidos.

Auditório da Ação Social preparado para receber desalojados. Foto: Pablo Bierhals/Rádio Acústica FM.

Alerta para ventos costeiros

Um alerta do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), válido até 23h59 desta quarta, indica possibilidade ventos costeiros intensos em todo litoral gaúcho, no mar e na Costa Doce, incuindo municípios de Arambaré, Camaquã, Tapes e São Lourenço do Sul.

É importante buscar locais seguros em momentos de instabilidade climática.

Em caso de emergência:
Defesa Civil – 199
Bombeiros – 193
Defesa Civil de Camaquã (WhatsApp) – 51 9 20066312