Entre os dias 23 e 24 de dezembro de 1995 Camaquã enfrentou uma das maiores enchentes de sua história, causada por um volume extremo de chuva. Em apenas 48 horas, foram registrados 345,9 milímetros de precipitação, segundo dados da Agência Nacional de Águas (ANA). As inundações atingiram bairros inteiros, interromperam rodovias e deixaram prejuízos que marcaram a cidade.

O acumulado de 345,9 mm em dois dias é considerado muito acima da média histórica para o período, conforme registros hidrológicos oficiais. Meteorologistas que acompanharam o episódio classificam o evento como extremo, tanto pela intensidade quanto pela rapidez com que a água se acumulou nas áreas urbanas e rurais.
A chuva intensa provocou o transbordamento de cursos d’água e a formação de enxurradas, resultando em alagamentos severos em diferentes pontos do município.

Bairro Getúlio Vargas concentrou os maiores impactos
O bairro Getúlio Vargas foi o mais afetado pela enchente de 1995. O represamento da água na Sanga do Passinho agravou a situação e inundou ruas e residências. Sem alternativas imediatas, moradores adotaram uma medida emergencial. Com picaretas em mãos, começaram a abrir um trecho da BR-116 para permitir o escoamento da água acumulada.
A intervenção improvisada reduziu o nível da inundação e evitou danos ainda maiores naquele momento.

Abertura da BR-116 resultou na construção de ponte seca
No local onde a rodovia foi aberta durante a enchente, foi posteriormente construída uma ponte seca, solução de engenharia adotada para permitir o fluxo da água em períodos de cheias sem comprometer a estrada. A estrutura permanece até hoje como um dos principais legados físicos da enchente de 1995.
A obra passou a integrar o sistema de drenagem da região e reduziu significativamente o risco de novos alagamentos no entorno.
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Enchente ganhou repercussão estadual e nacional
A gravidade da situação em Camaquã foi amplamente noticiada pelos principais veículos de comunicação da época, que destacaram os impactos sociais, os danos à infraestrutura e a mobilização da comunidade local diante da crise.
Três décadas depois, a enchente permanece como uma referência histórica para a cidade.

Estudo hidrológico busca prevenir novos desastres
Recentemente, a Prefeitura de Camaquã contratou um estudo hidrológico para analisar o comportamento dos cursos d’água e as áreas de risco no município. O documento deverá servir de base técnica para orientar obras de infraestrutura e ações preventivas, com foco na redução de danos provocados por eventos climáticos extremos.
A iniciativa ocorre em um contexto de maior frequência de chuvas intensas e alagamentos frequentes na área urbana. Em dezembro deste ano, após 250 milímetros em menos de 48 horas, o medo de uma enchente mais grave voltou ao imaginários dos camaquenses, principalmente no bairro Getúlio Vargas. A Prefeitura de Camaquã exigiu um estudo técnico do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) para confirmar se uma nova estrutura construída na ponte sobre arroio, parte das obras de duplicação da BR-116, estaria ou não causando afunilamento das águas e contribuindo para transbordamento no bairro.
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Imagens históricas preservam a memória do evento
As imagens em vídeo utilizadas nesta reportagem foram registradas por Élio Copes durante a enchente de 1995 e integram o acervo pessoal do autor. O material audiovisual é uma das principais fontes visuais sobre o episódio e contribui para a preservação da memória histórica do município.
Trinta anos depois, a enchente histórica de Camaquã segue como símbolo de destruição, resposta comunitária e da necessidade permanente de planejamento urbano e gestão de riscos climáticos.




