planejamento climático

Plano climático de Porto Alegre inclui “floresta de bolso” para reduzir ilhas de calor

Projeto é resultado de parceria entre prefeitura e iniciativa privada e integra ações de adaptação ambiental

Porto Alegre implantou a primeira “floresta de bolso” da cidade como parte das ações de adaptação às mudanças climáticas. O projeto foi iniciado em dezembro de 2025, no bairro Praia de Belas, com o plantio de 850 árvores nativas em uma área de cerca de 600 metros quadrados, entre a avenida Padre Cacique e o viaduto Abdias do Nascimento. A iniciativa integra o Plano de Ação Climática da capital e busca reduzir ilhas de calor, melhorar a drenagem urbana e fortalecer a biodiversidade.

Floresta de bolso em Porto Alegre. Foto: Sérgio Louruz.
Floresta de bolso em Porto Alegre. Foto: Sérgio Louruz.

A floresta de bolso é resultado de uma parceria entre a Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus) e a empresa Heineken. O projeto faz parte do Plano de Ação Climática de Porto Alegre, que prevê medidas de mitigação e adaptação aos efeitos de eventos climáticos extremos.

Em entrevista à Rádio Acústica FM nesta terça-feira (20), a diretora de Áreas Verdes de Porto Alegre, Verônica Riffel, explicou que a iniciativa está inserida principalmente no eixo da chamada “adaptação verde”. Segundo ela, o foco é preparar a cidade para enfrentar os impactos do clima, por meio da ampliação da arborização, da permeabilidade do solo e da recuperação de áreas naturais.

Método “floresta de bolso” foi criado por especialista em biodiversidade

O conceito de “floresta de bolso” foi idealizado pelo botânico e paisagista Ricardo Cardim, especialista em biodiversidade da fauna brasileira. A técnica é inspirada na dinâmica natural da Mata Atlântica e voltada à recuperação de áreas altamente degradadas ou sem espaço para arborização convencional.

O modelo utiliza plantio adensado de mudas, com espécies nativas adaptadas ao clima local. O objetivo é criar rapidamente um microambiente capaz de reduzir a temperatura, aumentar a infiltração da água da chuva, elevar a umidade do solo, filtrar gases poluentes e favorecer a fauna urbana.

Espécies nativas e cooperação até 2030

Pelo Termo de Cooperação firmado até 2030, foram plantadas mudas de espécies como aroeira-vermelha, guajuvira, ingá, guamirim, ipês e jerivá. A área escolhida fica ao lado da subestação Menino Deus da CEEE Equatorial. O início do projeto foi marcado pelo plantio simbólico de uma muda de erva-mate.

Segundo Verônica Riffel, a floresta implantada no Praia de Belas funciona como um projeto piloto. “A floresta implementada é um piloto e fica próximo à orla do Guaíba, tendo sido pensada para este ambiente, sempre com prioridade para espécies nativas”, afirmou. De acordo com ela, “a Heineken investiu recursos e a prefeitura entrou com apoio técnico”.

Floresta de bolso implementada em Porto Alegre em parceria com a Heineken. Foto: Sérgio Louruz.

Receba todas as notícias da Acústica no seu WhatsApp tocando aqui!

Arborização urbana e ilhas de calor

Além da floresta de bolso, o Plano de Ação Climática prevê outras frentes de atuação na arborização urbana. Entre elas estão o plantio de árvores em calçadas de bairros mais quentes da cidade e em canteiros centrais de grandes avenidas.

Um dos principais desafios identificados pela prefeitura são as ilhas de calor. Segundo a diretora, já há evidências técnicas sobre os efeitos da arborização. “Em bairros com mais arborização a temperatura é muito mais amena do que bairros que não têm árvores”, disse.

Leia mais sobre ilhas de calor:

Camaquã enfrenta desafio de manter índice elevado de arborização urbana

Recuperação ambiental na orla do Guaíba

Na orla do Guaíba, a prefeitura também atua na recuperação de áreas de preservação permanente. Essas áreas funcionam como barreiras naturais contra eventos extremos. “Verificamos que onde tinha mata ciliar na orla, houve menos danos”, afirmou Verônica citando a enchente que atingiu a capital em maio de 2024. Segundo ela, a presença da vegetação reduz a velocidade da água e ajuda a reter entulhos e galhos durante cheias.

Medidas de adaptação e mitigação

O Plano de Ação Climática de Porto Alegre está dividido em duas frentes. A adaptação inclui ações como arborização urbana e aumento da permeabilidade do solo. Já a mitigação envolve medidas estruturais, como a implantação de barreiras, bacias de contenção e estratégias para lidar com eventos climáticos extremos.

De acordo com a Smamus, o conjunto dessas ações busca reduzir os impactos das mudanças climáticas e garantir mais qualidade de vida à população e à fauna que convive na capital.