Faltando menos de 30 dias para o fim da concessão no Polo Rodoviário de Pelotas, a Ecovias Sul avalia a possibilidade de participar do novo leilão das rodovias federais da Zona Sul do Rio Grande do Sul. O contrato termina às 23h59 de 3 de março de 2026, data que marca o encerramento de quase três décadas de gestão da concessionária sobre 457,3 quilômetros das BR-116 e BR-392.

O tema ganhou destaque durante o lançamento do livro Além do asfalto – Transformando caminhos, construindo legados, nesta quarta-feira (4), em Pelotas. A obra resgata a trajetória da concessionária desde o início da concessão, em 1998, às vésperas do encerramento do contrato.
Questionado pela reportagem da Rádio Acústica FM, o diretor superintendente da Ecovias Sul, Miquéias Neuenfeld, afirmou que a empresa ainda avalia a participação no novo leilão, mas está disposta a assumir um “contrato tampão” para cobrir o período, mantendo assistência aos usuários da rodovia.
São 27 anos de concessão da Ecovias Sul, antiga Ecosul
A concessão da Ecovias Sul é responsável por trechos estratégicos das BR-116 e BR-392, que conectam municípios do Sul do Estado e têm papel central no escoamento da produção e na mobilidade regional. O contrato teve início em janeiro de 1998, assinado com o governo do Rio Grande do Sul, por meio do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (DAER). Em 18 de maio de 2000, o polo rodoviário foi federalizado e passou à gestão da União, com prazo final ajustado para março de 2026.
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A cobrança de pedágio começou em março de 2001. Atualmente, a tarifa para veículos de passeio é de R$ 19,60, valor que figura entre os mais altos do país em rodovias federais. A concessão conta com cinco praças de pedágio, sendo duas no trecho entre Camaquã e Pelotas. Em um percurso de cerca de 120 quilômetros, uma viagem de ida e volta entre os dois municípios pode se aproximar de R$ 80 apenas em pedágios.
Empresta investiu R$ 2,5 bilhões
Segundo dados da Ecovias Sul, entre 2001 e 2025 foram investidos R$ 2,5 bilhões na operação das rodovias, dos quais R$ 773,5 milhões foram destinados à pavimentação. No mesmo período, a concessionária informa ter repassado R$ 240 milhões em Imposto Sobre Serviços (ISS) a 19 municípios atendidos.
Ao longo dos 25 anos de concessão, foram registrados 47.451 atendimentos médicos, 373.137 atendimentos mecânicos e 654.170 ocorrências no Centro de Controle Operacional. Os Serviços de Atendimento ao Usuário somaram mais de 3,8 milhões de atendimentos. Ao todo, 1.532 colaboradores diretos integraram o quadro da concessionária durante o contrato.
Na área ambiental, a Ecovias Sul implantou corredores ecológicos ao longo das BR-116 e BR-392, transformando faixas de domínio em áreas de circulação da fauna do Bioma Pampa. O monitoramento de fauna viva identificou 26 espécies de mamíferos e registrou o retorno do puma (Puma concolor) à região após mais de um século, segundo dados da empresa.
Cancelas podem permanecer abertas por tempo indeterminado
Às vésperas do encerramento da concessão, a Ecovias Sul informou que manterá integralmente os serviços previstos em contrato até 23h59 de 3 de março de 2026, incluindo manutenção das rodovias, atendimento médico e resgates mecânicos. Ainda não há confirmação oficial se o fim da cobrança de pedágios ocorrerá na mesma data.
O futuro da gestão das rodovias após o término do contrato depende de definições do governo federal. Durante a inauguração da nova ponte sobre o Rio Camaquã, em Cristal, o ministro dos Transportes, Renan Filho, confirmou o fim da concessão da Ecovias Sul. Segundo o ministério, as manutenções passarão ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), e o serviço de socorro será municipalizado até a realização de uma nova concessão, prevista para 2026.
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