Violência doméstica

Camaquã registra uma agressão física contra mulher a cada três dias

Número real pode ser ainda maior levando em conta os casos não registrados na polícia

Camaquã registrou 359 casos de lesão corporal contra mulheres entre 2023 e 2025. Os dados indicam cerca de uma agressão física a cada três dias no município. O levantamento ocorre em meio à intensificação das ações de combate à violência doméstica no Rio Grande do Sul.

Camaquã registra uma agressão física contra mulher a cada três dias
Camaquã registra uma agressão física contra mulher a cada três dias. Foto: Reprodução/campanha "Não Maquie".

Em 2025, foram contabilizadas 110 lesões corporais, 186 ameaças, 15 estupros, uma tentativa de feminicídio e um feminicídio consumado. A secretária estadual da Mulher, Fábia Richter, afirma que o total pode ser maior, já que nem todas as vítimas registram ocorrência na polícia.

RS já soma 14 feminicídios em 2026

O cenário local acompanha o quadro estadual. Em 2026, o Rio Grande do Sul soma 14 feminicídios confirmados e ao menos um caso sob investigação. Em 2025, o estado registrou 80 feminicídios, número 10% superior ao de 2024.

O aumento levou à recriação da Secretaria Estadual da Mulher. O órgão reúne políticas públicas voltadas à prevenção da violência doméstica e ao combate ao feminicídio. A pasta atua no apoio técnico aos municípios e na articulação de campanhas.

Em dezembro de 2025, o governo estadual lançou a campanha “Não Maquie, Denuncie”. A iniciativa incentiva vítimas e testemunhas a formalizar denúncias de agressão. A proposta é ampliar a rede de proteção e reduzir a subnotificação.

Como funcionará o atendimento no Carnaval

O Centro de Referência Estadual da Mulher (Crem) atenderá em regime de plantão nos dias 16 e 17 de fevereiro, por meio da Escuta Lilás, no telefone 0800 541 0803, com funcionamento 24 horas. O atendimento presencial será retomado na quarta-feira (18), a partir das 13h, na nova sede da SDM, na Avenida Dolores Alcaraz Caldas, 90, no bairro Praia de Belas, em Porto Alegre.

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Rede de Proteção da Mulher

É por meio da SDM que o governo estadual coordena a Rede de Proteção da Mulher no Rio Grande do Sul, uma articulação interinstitucional. O objetivo dessa rede é oferecer atendimento integral, humanizado e articulado a mulheres em situação de violência, promovendo segurança, acolhimento e acesso a direitos. A Rede de Proteção da Mulher no Rio Grande do Sul representa um compromisso do Estado com a promoção dos direitos das mulheres, oferecendo suporte integral e articulado para aquelas em situação de violência. Integram as principais iniciativas da rede:

  • Centro de Referência da Mulher Vânia Araújo Machado: localizado em Porto Alegre, oferece atendimento psicológico,social e jurídico por equipe multidisciplinar, visando o fortalecimento e empoderamento das mulheres atendidas.
  • Delegacia de Polícia Online da Mulher RS: plataforma digital para registro de ocorrências de violência contra a mulher, facilitando o acesso à justiça.
  • Observatório da Violência Contra a Mulher: monitora e divulga indicadores de violência, subsidiando políticas públicas eficazes.
  • Sala das Margaridas: ambiente acolhedor para atendimento às vítimas de violência doméstica, proporcionando suporte especializado.
  • Programa de Monitoramento do Agressor: utiliza tornozeleiras eletrônicas para monitorar agressores em tempo real, prevenindo novas agressões.
  • Patrulha Maria da Penha: realiza visitas periódicas às vítimas para fiscalizar o cumprimento de medidas protetivas de urgência.
  • Rede Lilás: comitê interinstitucional que articula serviços públicos nas áreas de segurança, saúde, educação, assistência social e justiça para mulheres e meninas vítimas de violência.