Energia Elétrica

Contratar terceiros para religar rede elétrica pode resultar em acidente fatal, alerta Equatorial em Camaquã

Em audiência pública, gerente da concessionária explicou que a religação exige vistoria técnica completa para identificar a origem da falha

A contratação de terceiros para religar rede elétrica pode resultar em acidentes fatais e configurar crime, segundo alertaram representantes da Equatorial e do Ministério Público durante audiência pública realizada na quarta-feira (11), no Cine Teatro Coliseu, em Camaquã. O encontro, convocado pela Câmara Municipal, reuniu produtores rurais, autoridades e órgãos reguladores para discutir falhas no fornecimento de energia especialmente no interior do município.

Contratar terceiros para religar rede elétrica pode resultar em acidente fatal, alerta Equatorial em Camaquã
Contratar terceiros para religar rede elétrica pode resultar em acidente fatal, alerta Equatorial em Camaquã. Foto: Câmara de Camaquã/Divulgação.

O alerta ocorreu após relatos de agricultores que enfrentam interrupções prolongadas no serviço. Em alguns casos, a falta de energia ultrapassou dez dias, afetando estufas elétricas usadas para a secagem do tabaco.

A audiência foi marcada por manifestações de produtores de tabaco da agricultura familiar. Eles apontaram perdas financeiras decorrentes da interrupção no fornecimento.

Um agricultor descreveu um episódio em que a rede foi rompida na tarde de sexta-feira. No sábado, uma equipe terceirizada esteve no local, mas não concluiu o serviço porque encerrava o turno. A ocorrência foi repassada a outra equipe. Nesse intervalo, segundo o relato, um eletricista particular ofereceu o conserto. “Como ele soube, ninguém sabe”. No domingo, o técnico “foi lá, subiu em uma escadinha, emendou o fio e está lá até hoje”. De acordo com o produtor, “até hoje a segunda equipe não apareceu”.

Os agricultores também questionaram a eficiência das equipes enviadas para o interior.

Investimentos e defesa da privatização

O gerente de Relacionamento da Equatorial Região Sul, Egon Vivian, afirmou que a empresa executa obras estruturantes desde que assumiu a antiga CEEE, após a privatização. “Não adianta trocar o telhado de estou com o alicerce da casa trincando”, disse ao explicar o cenário encontrado pela concessionária.

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Segundo Egon, antes da privatização a estatal investia cerca de R$ 120 milhões por ano nos 72 municípios atendidos. “Em um ano estamos investindo o que se investia em 10 anos”, afirmou.

De acordo com o gerente, a Equatorial aplicou R$ 40,5 milhões em obras estruturantes em Camaquã nos últimos quatro anos. A expectativa, segundo ele, é reduzir os danos causados por quedas de energia, sobretudo no interior do município.

“Investimos em treinamento e equipamento e hoje todas as equipes devem conseguir resolver os problemas”, explicou. Egon afirmou que situações em que uma equipe não conclui o atendimento precisam ser exceção.

Alerta para risco grave e possível crime

Durante a audiência, Egon Vivian fez um alerta direto aos produtores sobre a contratação de terceiros para religar a rede elétrica. “Antes de religar precisamos ver onde está o problema”, afirmou, destacando que é necessário percorrer todo o perímetro da rede para identificar a origem da falha. “Já ocorreram acidentes fatais”.

O promotor de Justiça Ricardo Lazzarin, representando o Ministério Público, reforçou o alerta. Segundo ele, a prática pode ser considerada criminosa e os produtores não podem aceitar ou contratar este tipo de serviço.

Fiscalização e acompanhamento regulatório

O principal objetivo da reunião, convocada pela Câmara de Camaquã e presidida pelo vereador Vinícios Araújo (MDB), foi ouvir os consumidores e reunir elementos para o acompanhamento regulatório do serviço. “Estamos atentos às dificuldades relatadas pela população e profundamente preocupados com os prejuízos causados”, afirmou o vereador.

A Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do Sul (Agergs) informou que todas as contribuições registradas serão analisadas dentro de suas competências, que incluem a fiscalização da qualidade do serviço e o cumprimento das obrigações contratuais pela concessionária.

A audiência ocorreu no Cine Teatro Coliseu e reuniu produtores, autoridades municipais, representantes da concessionária e do Ministério Público.