RELATO

Vítima de tentativa de feminicídio relata ataques e anos de silêncio

História revela como controle e ciúmes evoluíram para ataques físicos graves

Uma jovem sobrevivente de tentativa de feminicídio decidiu transformar dor em alerta. Em entrevista concedida na manhã desta quarta-feira (18) à Rádio Acústica FM, Charlise relatou, de forma detalhada, o ciclo de violência que viveu ao longo de três anos em um relacionamento marcado por controle, agressões e ameaças de morte.

Vítima de tentativa de feminicídio relata ataques e anos de silêncio
Vítima de tentativa de feminicídio relata ataques e anos de silêncio. Foto: Alice Campos/Acústica FM

Sem identificação completa por questões de segurança, a vítima contou que os primeiros sinais de abuso surgiram de maneira gradual, com ciúmes excessivos e atitudes de controle. Segundo ela, o agressor passou a restringir seu convívio social, interferindo em amizades, redes sociais e até em atividades cotidianas: 

“Ele foi me tirando de tudo. Eu vivia 100% em torno dele”, relatou.

Com o tempo, a violência psicológica evoluiu para agressões verbais e, posteriormente, físicas. A primeira agressão ocorreu em 2023, quando a jovem foi espancada após uma discussão. Mesmo ferida, optou por não denunciar o caso naquele momento — decisão que, segundo ela, está ligada ao medo, à dependência emocional e à esperança de mudança do agressor.

O episódio mais grave ocorreu meses depois, quando ela foi atacada com uma faca dentro da própria residência: 

“Eu achei que ia morrer”, afirmou. 

A vítima sofreu múltiplos ferimentos e conseguiu sobreviver após reagir e ser levada ao hospital. Ainda assim, não denunciou imediatamente o crime.

Ao longo do relato, ela destacou o chamado “ciclo da violência”, caracterizado por agressões seguidas de pedidos de desculpa e promessas de mudança, o que contribuiu para a manutenção do relacionamento abusivo. Mesmo após registros policiais e medidas protetivas com base na Lei Maria da Penha, o agressor voltou a se aproximar diversas vezes, descumprindo determinações judiciais.

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A ruptura definitiva só ocorreu após uma nova agressão, quando a vítima decidiu procurar ajuda e romper completamente o vínculo. Hoje, com medida protetiva ativa, ela afirma estar reconstruindo a vida, embora ainda carregue marcas físicas e psicológicas.

Durante a entrevista, a jovem fez um apelo a outras mulheres: 

“Não tenham vergonha, não escondam da família e denunciem. Cortem totalmente o vínculo. É possível sair disso”.

O caso ocorre em um contexto preocupante. Apenas em 2026, o Rio Grande do Sul já registra dezenas de feminicídios e centenas de ocorrências de violência contra a mulher, reforçando a importância da denúncia e da rede de apoio.

A sobrevivente também cobrou maior rigor na punição de agressores e destacou falhas na proteção às vítimas. 

“Tem muita brecha para eles continuarem soltos”, afirmou.

O depoimento repercutiu entre ouvintes e reforça o alerta: identificar sinais precoces de abuso e buscar ajuda pode ser determinante para evitar desfechos fatais.

Atendimento à mulher – Polícia Civil

Configura violência contra a Mulher toda ação que importe na lesão de direito, causando-lhe dano ou sofrimento físico, sexual, ou, ainda, atente contra sua vida. Muitas mulheres sofrem violência e não sabem como sair dessa situação tão delicada. A violência doméstica contra a mulher é a maior causa de feminicídio no Brasil e no mundo.

Conheça a seguir os tipos de violência contra a mulher:

  • Violência física: Empurrões, chutes, tapas, socos, puxões de cabelo, atirar objetos em sua direção, sacudir, apertar, queimar, cortar, ferir, etc.
  • Violência sexual: Obrigar a ter relações sexuais com o/a autor/a de violência doméstica ou com outras pessoas; forçar a ver imagens pornográficas; induzir ou obrigar o aborto, o matrimônio ou a prostituição; impedir de usar método contraceptivo, etc.
  • Violência moral: Xingar diante de amigos, acusar de algo que não fez, falar coisas que não são verdadeiras sobre ela para os outros, afirmar que a vítima é mentirosa, vagabunda, entre outras.
  • Violência patrimonial: Destruir materiais profissionais ou instrumentos de trabalho para impedir que a mulher trabalhe; controlar o dinheiro gasto, obrigando-a a fazer prestação de contas, mesmo quando ela trabalhe fora; reter, danificar ou destruir fotos ou documentos pessoais, roupas, etc.
  • Violência psicológica: Ameaçar, chantagear, xingar, humilhar, manipular, perseguir, controlar o que faz, tirar sua liberdade de escolha ou ação, vigiar e inspecionar celular e computador da mulher, seus e-mails e redes sociais, isolar de amigos e familiares, impedir que trabalhe, estude ou saia de casa, fazer com que acredite que está louca, etc.

Canais de Denúncia

  • Disque Denúncia – 181
  • Polícia Civil – 197

Confira o relato da vítima de tentativa de feminicídio

Tags: feminicídio; Camaquã