Cientistas da Universidade Nacional da Colômbia identificaram um fenômeno biológico raríssimo: o nascimento de gêmeos de pais distintos. O caso, conhecido tecnicamente como superfecundação heteropaternal, foi confirmado após uma mulher solicitar testes de DNA para os dois filhos. O resultado surpreendeu os pesquisadores do Laboratório de Genética de Populações e Identificação, que registraram a ocorrência pela primeira vez em mais de duas décadas de atuação da unidade.

Testes foram realizados para entender a dinâmica do estranho caso dos gêmeos
A confirmação da paternidade utilizou a técnica de marcadores microssatélites, que analisa fragmentos específicos do material genético. O procedimento isola o DNA de amostras de sangue e o converte em sequências numéricas, comparando cerca de 20 pontos entre a mãe, as crianças e o suposto pai. No caso colombiano, os dados mostraram que o perfil genético do homem coincidia com apenas um dos bebês, enquanto o outro não possuía compatibilidade biológica com ele.
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O fenômeno exige uma combinação improvável de fatores biológicos e temporais para ocorrer. A mulher precisa liberar dois óvulos em um mesmo ciclo menstrual — processo chamado poliovulação — e manter relações sexuais com homens diferentes em um intervalo curto. Como o óvulo permanece viável por até 36 horas após a liberação, as duas fecundações devem acontecer dentro desse período para que a gestação dupla de pais diferentes se concretize.
Especialistas explicam que esses casos são limitados na literatura médica, com apenas vinte registros detalhados mundialmente. A raridade se deve tanto à baixa probabilidade biológica quanto ao fato de que a maioria das famílias não realiza testes de paternidade em gêmeos. No entanto, pesquisadores acreditam que a popularização de exames de DNA e o avanço das técnicas moleculares podem revelar mais situações semelhantes, que antes passavam despercebidas pela ciência.



