Brasil

Pesquisa mostra que motoristas de aplicativo trabalham até a exaustão

Brasil já conta com mais de 1,7 milhão de trabalhadores em plataformas digitais

A promessa de ser o “seu próprio chefe” como motoristas de aplicativo tem se tornado um pesadelo financeiro e físico para milhões de brasileiros. Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), revelam que o Brasil já conta com mais de 1,7 milhão de trabalhadores em plataformas digitais. No entanto, por trás da fachada do empreendedorismo, esconde-se uma realidade de jornadas exaustivas e faturamento corroído por despesas altíssimas.

Pesquisa mostra que motoristas de aplicativo trabalham até a exaustão
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O Custo Invisível da Corrida para motoristas de aplicativo

De acordo com um estudo detalhado do Centro de Pesquisas do TST, a conta para manter o carro rodando é assustadora. Um motorista que cumpre uma jornada padrão — trabalhando 22 dias por mês, 8 horas diárias — chega a desembolsar mais de R$ 5 mil mensais.

Essa quantia engole os ganhos com despesas inevitáveis para motoristas de aplicativo, tais como:

  • Combustível e internet móvel;

  • Manutenção e depreciação do veículo;

  • Seguros, impostos e alimentação diária.

O grande nó da questão, segundo o TST, é que as gigantes da tecnologia se posicionam apenas como intermediárias digitais. Dessa forma, elas se isentam de qualquer vínculo empregatício, transferindo 100% dos riscos e dos custos operacionais para as costas dos motoristas.

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Sobrecarga e a Armadilha das Dívidas

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua acendeu o sinal vermelho para a saúde desses profissionais. Em média, quem trabalha com aplicativos cumpre uma jornada semanal seis horas maior do que os trabalhadores do setor privado tradicional.

Para piorar o cenário, as plataformas aplicam descontos unilaterais que variam de 20% a 30% sobre o valor das corridas, sem que os critérios fiquem claros para quem está no volante. O motorista não tem poder para definir tarifas e sequer pode escolher seus clientes livremente.

“A rotina virou uma batalha contra as dívidas apenas para conseguir o sustento básico”, desabafa Bárbara Souza, de 28 anos, que enfrenta as ruas de Brasília há quatro anos em uma rotina estafante.

Dignidade em Xeque para motoristas de aplicativo

Para o presidente do TST, Luiz Vieira de Mello Filho, o conceito de “liberdade empreendedora” tem sido amplamente utilizado para mascarar graves violações à dignidade humana.

O debate já ganhou escala global. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) aprovou a Convenção 193, que exige que os países garantam condições de trabalho decente no ambiente virtual, incluindo o direito à sindicalização, negociações coletivas de tarifa e o combate rigoroso ao trabalho degradante.

 


 

 

Tags: 99, custo motorista de app, direitos trabalhistas TST, IBGE, motorista de aplicativo, precarização do trabalho, Uber