política

“O Rio Grande do Sul perdeu o protagonismo em nível nacional”, alerta Germano Rigotto

Ex-governador e pré-candidato ao Senado defende o resgate da influência gaúcha no Congresso e avalia os desafios da transição tributária

Na manhã desta quinta-feira (20), o programa Primeira Hora deu destaque ao cenário político e econômico regional ao receber o ex-governador e pré-candidato ao Senado, Germano Rigotto, na Rádio Acústica FM. Durante a conversa, o convidado pontuou que o Rio Grande do Sul atravessa um momento de enfraquecimento político nas instâncias federais, o que motivou seu retorno à linha de frente do debate público após percorrer cerca de 25 mil quilômetros em agendas pelo interior gaúcho.

“O Rio Grande do Sul perdeu o protagonismo em nível nacional”, alerta Germano Rigotto
Foto: InfoMoney

Reforma tributária, juros e o endividamento das famílias

Como ex-presidente da comissão da reforma tributária na Câmara dos Deputados, Rigotto analisou a proposta aprovada no Congresso, classificando o texto atual como um avanço necessário, ainda que distante do modelo ideal. Ele chamou a atenção para o longo período de transição que se estenderá até 2033, exigindo que empresas e profissionais de contabilidade convivam temporariamente com dois sistemas fiscais, mas destacou como ponto positivo a desoneração de itens essenciais. “A proposta traz redução de carga sobre os alimentos e medicamentos, o que significa a possibilidade de maior poder de compra para a população”, avaliou.

Críticas ao Congresso Nacional e proposta para o STF

Em sua análise sobre o funcionamento dos Poderes, o ex-governador direcionou duras críticas à condução da Câmara dos Deputados, justificando sua opção de disputar uma vaga no Senado em vez de retornar à câmara baixa. Rigotto condenou a dependência excessiva do orçamento em relação às emendas parlamentares, apontando falhas de transparência na alocação desses recursos, e avaliou que o Senado tem se omitido diante de ingerências do Judiciário. “Vejo um Senado apequenado e acovardado nesse choque de poderes”, afirmou o convidado ao defender que o Supremo Tribunal Federal (STF) frequentemente extrapola suas atribuições por falta de posicionamento do Legislativo. Para equilibrar as relações institucionais, ele propôs alterar o modelo de escolha dos ministros da Corte Suprema, sugerindo que as indicações passem a ser feitas a partir de listas tríplices elaboradas pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e Conselho do Ministério Público.

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Infraestrutura, ferrovias e atenção às concessões na região

Germano Rigotto voltou seu discurso para os gargalos logísticos que afetam o escoamento da produção gaúcha, criticando o abandono das malhas ferroviárias do Estado pelas concessionárias atuais. O pré-candidato defendeu que o Governo Federal e as lideranças regionais acompanhem com rigor a nova modelagem de concessão dos trilhos para evitar que o Estado permaneça com uma estrutura sucateada. Além do modal ferroviário, Rigotto fez um alerta específico sobre o planejamento das novas praças de pedágio previstas para a região de Camaquã, trecho decisivo para a rota portuária do Sul. Ele sustentou que a comunidade local precisa se mobilizar desde já no processo de modelagem e fiscalização dos contratos concessionários para impedir que os custos tarifários elevados comprometam a competitividade dos produtores e o desenvolvimento econômico do município.