A diabetes está entre as principais causas de cegueira evitável no mundo e exige atenção redobrada dos pacientes para prevenir complicações oculares. O alerta foi feito pelo médico oftalmologista Otavio Dvogeski durante entrevista concedida à Rádio Acústica FM nesta segunda-feira (24). Especialista em cirurgia de catarata e cirurgia refrativa, o profissional destacou que o controle da glicemia e o acompanhamento oftalmológico periódico são fundamentais para preservar a saúde da visão.

Segundo o médico, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 800 milhões de pessoas convivam com a diabetes em todo o planeta. Deste total, aproximadamente um terço desenvolverá algum tipo de alteração ocular relacionada à doença e, entre esses pacientes, parte poderá apresentar complicações graves com impacto significativo na visão.
Dvogeski explicou que a diabetes é considerada atualmente a terceira principal causa de cegueira no mundo, mas ressalta que muitos casos podem ser evitados. Conforme o especialista, os principais fatores de risco são o descontrole da glicemia ao longo dos anos e o tempo de evolução da doença. Por isso, o diagnóstico precoce e o acompanhamento médico regular são essenciais para identificar alterações ainda em fases iniciais.
O oftalmologista destacou que a retinopatia diabética, principal complicação ocular da diabetes, pode evoluir de forma silenciosa. Em muitos casos, o paciente não apresenta sintomas mesmo quando já existem lesões na retina. Por essa razão, pessoas diagnosticadas com diabetes tipo 2 devem procurar avaliação oftalmológica logo após a confirmação da doença.
Entre as complicações mais comuns estão alterações temporárias no grau dos óculos, catarata, glaucoma e, em situações mais avançadas, hemorragias, descolamento de retina e perda significativa da visão. O médico ressaltou que essas fases avançadas costumam deixar sequelas importantes e reforçou a necessidade da prevenção.
Durante a entrevista, Dvogeski comparou os vasos sanguíneos do organismo às tubulações de uma residência. Segundo ele, a glicemia elevada por longos períodos provoca danos progressivos nessas estruturas, causando vazamentos, hemorragias e falta de oxigenação dos tecidos. Na retina, esses danos podem ser observados diretamente pelo oftalmologista durante os exames.
O especialista também lembrou que a diabetes não afeta apenas os olhos. A doença pode comprometer órgãos como coração, cérebro, rins e membros inferiores, aumentando o risco de complicações graves ao longo dos anos.
Quanto ao tratamento, ele explicou que os casos iniciais costumam ser acompanhados com controle dos fatores de risco, como hipertensão, colesterol elevado e tabagismo. Já em situações mais avançadas, podem ser necessários procedimentos como aplicações intraoculares de medicamentos, tratamento a laser e até cirurgias de retina.
Para a população em geral, a recomendação é realizar uma consulta oftalmológica pelo menos uma vez por ano. Pacientes com retinopatia diabética podem necessitar de acompanhamento mais frequente, conforme a gravidade de cada caso.
Ao final da entrevista, o médico reforçou que a prevenção continua sendo a melhor estratégia. O especialista reforçou o quanto mais cedo a pessoa identificar a doença e iniciar os cuidados, menores serão as chances de desenvolver complicações.
Atendimentos no Grupo Mediare
O oftalmologista atende no Grupo Mediare, com agendamentos pelo contato (51) 3671-0984. A clínica está localizada na Avenida Presidente Vargas 878, no centro de Camaquã.



