Um programa desenvolvido pela Secretaria Municipal da Saúde de Camaquã busca ampliar o acesso da população a medicamentos gratuitos e, ao mesmo tempo, reforçar a importância do uso responsável desses produtos. O funcionamento do programa e os cuidados relacionados à automedicação foram apresentados durante entrevista na SulTV nesta semana, com o secretário municipal da Saúde, Daniel Mariano, e a farmacêutica da Equipe Multidisciplinar (eMulti), Aline Lima.

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Entenda como funciona o programa em Camaquã
O programa reúne medicamentos provenientes de amostras grátis fornecidas por laboratórios e clínicas, além de produtos que não estão mais sendo utilizados e são doados pela população. Para serem aproveitados, os medicamentos precisam estar lacrados e dentro do prazo de validade. Os itens são recebidos, avaliados e centralizados no Centro de Especialidades, onde são catalogados com informações como lote e validade no sistema SIMOS.
Para ter acesso aos medicamentos disponíveis, o paciente deve procurar o Centro de Especialidades, localizado na Avenida Presidente Vargas, nº 1115, ao lado do Laboratório Thofehrn. Outra possibilidade é consultar a disponibilidade atualizada por meio do sistema utilizado na Unidade Básica de Saúde (UBS). No atendimento, é necessário apresentar a prescrição médica e um documento oficial.
Além da entrega dos medicamentos, o serviço conta com atendimento farmacêutico individualizado. A orientação busca esclarecer questões relacionadas à posologia e contribuir para que o paciente siga corretamente o tratamento prescrito. A proposta é garantir que a utilização dos medicamentos ocorra de maneira adequada e segura.
O programa possui uma atuação diferente da Farmácia Municipal de Camaquã. Enquanto a unidade municipal trabalha com os medicamentos genéricos disponibilizados pela rede pública, o programa solidário pode oferecer medicamentos de marca, inovadores ou de alto custo, conforme os produtos recebidos por meio de doações e amostras.
Durante a entrevista, Aline Lima também chamou atenção para os riscos da automedicação. Entre os alertas está o consumo indiscriminado de vitaminas e suplementos estimulado por conteúdos encontrados nas redes sociais. Segundo a farmacêutica, a utilização desses produtos sem avaliação e sem a realização prévia de exames pode provocar excesso de vitaminas no organismo e trazer consequências à saúde, incluindo problemas renais.
Outro ponto destacado foi o uso sem acompanhamento de medicamentos anti-inflamatórios que o consumo inadequado pode interferir na ação de medicamentos utilizados para controlar a pressão arterial, além de contribuir para o aumento da pressão e problemas renais.
A entrevista também relembrou o caso de uma paciente com psoríase que utilizou metotrexato por indicação de um vizinho, sem prescrição médica, e posteriormente desenvolveu leucemia. O relato foi utilizado como exemplo dos riscos associados ao uso de medicamentos sem avaliação e acompanhamento de profissionais de saúde.
A Equipe Multidisciplinar de Camaquã (eMulti) também desempenha papel no acompanhamento dos pacientes nos bairros. O grupo reúne farmacêutica, psicóloga, nutricionista e educador físico e realiza atendimentos quinzenais nas UBSs.
A atuação descentralizada permite acompanhar questões relacionadas à hipertensão, diabetes, alimentação saudável e saúde mental. A proposta é aproximar os profissionais da população e ampliar o cuidado em saúde diretamente nas comunidades.



