O cenário infraestrutural do Rio Grande do Sul passa por uma forte reviravolta política. O governador eleito, Luciano Zucco (PL), confirmou publicamente que não dará prosseguimento ao modelo de concessões rodoviárias articulado pela gestão do atual chefe do Executivo gaúcho, Eduardo Leite (PSD). A declaração foi feita durante coletiva de imprensa no Instituto Caldeira, logo após a apresentação de novos membros de sua futura equipe ministerial.

A decisão de suspender os projetos dos Blocos 1 e 2 coloca em suspenso o futuro de 15 rodovias estaduais. O principal foco de tensão envolve o destino de R$ 1,5 bilhão proveniente do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs) — recurso originado da suspensão da dívida do Estado com a União após as enchentes de 2024 —, que estava reservado para alavancar os investimentos no Bloco 2.
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Divergências na transição de Leite para Zucco e críticas às tarifas
Em encontros recentes no Centro Administrativo Fernando Ferrari, Eduardo Leite solicitou um debate específico para apresentar a modelagem técnica do Bloco 2. O trecho abrange seis vias estratégicas (ERS-128, ERS-129, ERS-130, ERS-324, RSC-453 e ERS-135), cortando regiões vitais como o Vale do Taquari e o Norte do Estado, incluindo cidades como Passo Fundo, Marau e Erechim. O projeto original previa um aporte total de R$ 6 bilhões, prevendo duplicações e novas faixas de tráfego.
Contudo, a utilização de recursos públicos para subsidiar concessões privadas vinha acumulando severas críticas de empresários e prefeitos locais, que consideravam os valores cobrados aos motoristas desproporcionais, mesmo após o reajuste na tarifa por quilômetro.
Novas alternativas no radar dos municípios
Com o veto imposto pela nova gestão que assumirá o Estado, lideranças regionais pressionam para que as verbas bilionárias do Funrigs sejam canalizadas diretamente para a Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR) ou investidas em obras executadas pelo próprio poder público.
Embora o leilão do Bloco 2 na bolsa de valores B3 já tivesse sido suspenso anteriormente em decorrência de investigações de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa, o impasse entre as equipes de transição de Leite e Zucco segue como um dos pontos mais sensíveis para a infraestrutura gaúcha.




